Paraná e Embrapa desenham programa de R$ 5 milhões para P&D na cadeia da soja

O Governo do Paraná assinou uma carta de intenções com a Embrapa para estruturar um programa de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltado à cadeia produtiva da soja. O acordo envolve a Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (Seia) e a Fundação Araucária, com R$ 5 milhões em recursos estaduais destinados a impulsionar soluções tecnológicas relacionadas à bioeconomia, transição energética e agregação de valor ao agronegócio.

A assinatura ocorreu na sexta-feira, 06, durante a abertura do Dia de Campo de Verão da Embrapa Soja, em Londrina. Segundo os envolvidos, a parceria busca fortalecer a integração entre pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e políticas públicas orientadas a um agronegócio sustentável, criando um arranjo institucional para organizar prioridades e dar escala a iniciativas no Estado.

Na prática, a carta estabelece diretrizes para um programa de inovação com o objetivo de ampliar o potencial tecnológico da soja, descrita como uma das principais commodities agrícolas do Paraná e do Brasil. O secretário da Seia, Alex Canziani, enquadrou o movimento como um investimento que mira competitividade e novos mercados, com a ambição de aproximar a soja paranaense de aplicações de maior valor tecnológico.

Para a Embrapa, o eixo central é expandir as possibilidades de uso do grão e aumentar o valor agregado da produção. O chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno, afirmou que a proposta é avançar rumo a uma “nova geração” de produtos, processos e aplicações industriais de base biológica, com a meta de fortalecer competitividade, estimular a descarbonização e apoiar a transição energética.

O programa previsto será estruturado em quatro eixos. O primeiro trata do desenvolvimento de cultivares de soja com perfis proteicos e de óleo diferenciados. O segundo busca criar variedades com perfil específico de aminoácidos, mirando maior eficiência na conversão alimentar, ganho de peso animal e redução de custos na produção de carnes.

O terceiro eixo direciona esforços para biocombustíveis avançados, com cultivares que apresentem perfil de ácidos graxos mais adequado para fins energéticos. Já o quarto pretende ampliar os usos industriais do óleo de soja, citando aplicações como lubrificantes, asfalto e materiais vulcanizados empregados na fabricação de produtos como sapatos e correias de máquinas.

De acordo com Cristianne Cordeiro, assessora de relações institucionais e inovação da Fundação Araucária, o aporte estadual tem como função estruturar um programa integrado de inovação tecnológica na cadeia produtiva. Ela destacou que os recursos devem apoiar pesquisas para o desenvolvimento de cultivares com características específicas, melhoria de eficiência na nutrição animal, soluções para biocombustíveis avançados e novos usos industriais do óleo de soja, alinhando agendas de pesquisa a demandas de mercado e políticas públicas no Estado.

Fonte: Paraná e Embrapa firmam acordo para impulsionar bioeconomia na cadeia da soja

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