Em meio aos crescentes desafios ambientais, os produtos químicos conhecidos como PFAS ganharam notoriedade como uma das maiores ameaças à saúde ambiental nos tempos modernos. Presentes em uma variedade de produtos de consumo diário, como panelas antiaderentes, espumas de combate a incêndios e embalagens alimentícias, os PFAS são a mais recente preocupação no cenário químico global devido à sua persistência no ambiente. Eles se tornaram onipresentes, contaminando desde corpos d’água até o pó doméstico, e foram associados a diversos problemas de saúde, incluindo muitos tipos de câncer e doenças do desenvolvimento.
A ciência moderna ainda enfrenta obstáculos significativos para a degradação em larga escala desses ‘produtos químicos eternos’, que têm resistido aos processos tradicionais de eliminação. As técnicas físicas e químicas, embora eficazes em ambientes laboratoriais, enfrentam limitações práticas e econômicas quando aplicadas em escala maior, além de gerarem subprodutos potencialmente tóxicos.
Neste cenário, pesquisas universitárias começaram a destacar soluções baseadas na bioeconomia como alternativas viáveis. No Instituto de Tecnologia de Massachusetts, um grupo de pesquisadores desenvolveu uma membrana à base de seda capaz de remover os PFAS de forma segura e sustentável. Derivada por um acaso a partir de um projeto diferente, essa membrana une proteínas de seda com nanocristais de celulose, criando um material potente que também possui altas propriedades antimicrobianas, prevenindo contaminações adicionais por bactérias e fungos. O uso de resíduo industrial do setor de seda e polpa de resíduos florestais para produzir a celulose necessária reforça a sustentabilidade da abordagem, trazendo uma solução de baixo impacto ambiental.
Outra abordagem promissora tem sido o desenvolvimento de plataformas fúngicas para a degradação circular dos PFAS. Em uma pesquisa liderada por Susie Dai na Texas A&M Agrilife Research, descobriu-se que o fungo conhecido como ‘white rot’ degrada rapidamente esses compostos. Em suas experiências, mais de 98% e 99% dos PFAS PFOA e PFOS foram removidos em duas semanas. A associação do fungo a uma matriz biológica feita de resíduos de milho, como folhas e talos, se mostrou eficaz ao acelerar a degradação. O diferencial aqui é que, ao contrário de outras técnicas, este método não gera resíduos tóxicos secundários.
Além dos fungos, pesquisadores em universidades dos EUA estão explorando a capacidade de certos microrganismos para metabolizar os PFAS, tornando-os mais tratáveis. Esses micro-organismos são particularmente úteis na degradação de contaminações graves em solos, onde técnicas convencionais se mostram inviáveis. Embora promissoras, essas soluções biotecnológicas ainda enfrentam desafios comerciais, uma vez que a ciência ainda não compreende completamente os mecanismos internos que possibilitam a degradação dos PFAS por esses organismos.
Em resumo, o avanço em métodos biológicos para a degradação dos PFAS representa um marco significativo na luta contra essa ameaça ambiental. No entanto, especialistas alertam que nenhuma solução única será suficiente. Um tratamento eficaz pode requerer uma combinação de métodos, unindo técnicas biológicas a processos físicos e químicos conhecidos. Dada a vasta gama de compostos no grupo PFAS, que varia de 800 a até 7 milhões de químicos, uma abordagem diversificada é essencial para sua remediação eficaz. Um exemplo disso poderia ser a implementação de dispositivos modulares em estações de tratamento de água existentes que funcionem em conjunto com aparelhos domésticos menores, atacando o problema em seu núcleo, de forma centralizada e descentralizada ao mesmo tempo.
Fonte: https://worldbiomarketinsights.com/the-fungi-and-microbes-that-break-down-forever-chemicals/
