O artigo conduzido por Margherita Ciervo leva uma análise minuciosa sobre os impactos que a Estratégia de Bioeconomia da Comissão Europeia terá sobre as áreas rurais a longo prazo, levantando uma série de considerações sobre sua sustentabilidade. A pesquisa parte da premissa de que estas áreas serão inicialmente transformadas em grandes produtores de biomassa para energia e uso industrial, e posteriormente estabelecerá biorrefinarias locais, mudanças que poderão ter consequências significativas sobre o ambiente, a biodiversidade e a economia local.
A estratégia delineada pela Comissão Europeia promove uma transição do modelo econômico atual para um baseado na bioeconomia, com a intenção de substituir combustíveis fósseis por fontes orgânicas. Contudo, este modelo é criticado por não reavaliar o modelo de extração consumista vigente e por apresentar riscos significativos do ponto de vista ambiental e socioeconômico. Essa crítica é reforçada pela relação do documento com visões tecno-neoliberais e logísticas de domínio neocolonial, que acabam por perpetuar problemas já conhecidos do capitalismo.
Dentro das áreas rurais, a Estratégia de Bioeconomia objetiva um aumento significativo na competitividade e criação de empregos, especialmente nas zonas de costa e rurais. Contudo, a análise sugere que os potenciais benefícios podem não ser concretizados, dado que a estrutura proposta termina por favorecer mais as economias centrais da Europa em detrimento das periferias sul e leste do continente, agravando desigualdades territoriais e econômicas.
Como consequência dessa retração rápida do uso tradicional do solo, o documento aponta para uma transformação das áreas rurais em gigantescas cadeias de produção de matéria-prima biológica, visando atender uma demanda crescente por biomassa bioenergética. Isso não apenas altera profundamente as paisagens rurais mas também marginaliza as práticas tradicionais como a agricultura convencional e o turismo rural que é relevante em economias como as do Mediterrâneo.
O setor energético parece crescer a um preço alto para o primário. A produção e transformação de biomassa mostra um quadro de redução significativa na força de trabalho, mesmo com incrementos no faturamento, levantando preocupações sobre a concentração de terra e exclusão de pequenos e médios empresários rurais. A produção agroindustrial e a digitalização são apresentadas como caminhos para crescimento econômico, mas com potenciais de desintegração socioeconômica significativa.
A análise conclui que o modelo proposto pela Comissão Europeia para o futuro das áreas rurais, embasado em tecnologias digitais inteligentes e a visão de industrialização verde, poderá ser insustentável para a biodiversidade e para as comunidades locais. Proporcinando um ambiente de competição desleal para essas regiões com políticas não equitativas de desenvolvimento.
Por fim, a visão a longo prazo delineada para as áreas rurais europeias dentro do escopo da Estratégia de Bioeconomia e sua transformação digital tem sido vista como um movimento que ameaça danificar irreparavelmente a sua sustentabilidade, reforçando a necessidade de revisões nas políticas que priorizem factualmente o equilíbrio ambiental e a proteção dos produtores e residentes rurais.
Fonte: Dalla “Strategia di bioeconomia” alla “Visione a lungo termine” della Commissione europea: quale sostenibilità per le aree rurali? Dalla “Strategia di bioeconomia” alla “Visione a lungo termine” della Commissione europea: quale sostenibilità per le aree rurali?
