A governança experimentalista aplicada na bioeconomia da Amazônia brasileira foi tema de uma pesquisa cujos resultados foram recentemente divulgados. O estudo investigou a integração de políticas subnacionais na bioeconomia com os esforços locais no estado do Amazonas, utilizando a teoria de governança experimentalista para compreender o desenvolvimento de políticas públicas emergentes.
Apesar de avanços na definição de um sistema de governança para fomentar a bioeconomia, é evidente que muitos desafios precisam ser superados. Entre eles estão a falta de coordenação política, ações coletivas incipientes entre os atores envolvidos e a ausência de incentivos para a experimentação e aprendizado sistemático das experiências locais.
A pesquisa revela um potencial ainda não realizado da governança experimentalista para melhorar as reformas políticas. Apesar do reconhecimento de oportunidades significativas apresentadas pela biodiversidade da Amazônia, o estado carece de uma estratégia de longo prazo com metas, métricas e revisões para consolidar uma bioeconomia inclusiva e sustentável.
Programas pilotos como o InovaSocioBio Amazonas testaram abordagens colaborativas envolvendo multistakeholders. No entanto, mudanças políticas e de gestão resultaram na suspensão dessas iniciativas, evidenciando a fragilidade de projetos que dependem exclusivamente de articulação governamental centralizada.
Desafios de financiamento também foram destacados. A pequena escala dos experimentos e diferentes relações risco/retorno desencorajam investimentos tradicionais, tornando necessária a participação do capital de risco em estruturas de financiamento misto.
O estudo aponta para a necessidade de uma abordagem integrada e coordenada que combine inovação, desenvolvimento socioeconômico e conservação ambiental. A governança multigovernamental deveria ser implementada para utilizar efetivamente o conhecimento acumulado por universidades, instituições de pesquisa e comunidade locais.
Conclusões sugerem que uma governança experimentalista poderia efetuar mudanças transformadoras ao fomentar a economia da biodiversidade, mantendo o foco no bem-estar das comunidades e na proteção dos ecossistemas.
Fonte: Experimentalist Governance in Bioeconomy: Insights from the Brazilian Amazon
