À medida que o Brasil se prepara para sediar a COP30, a continuidade da exploração de petróleo na Foz do Amazonas levanta debates intensos sobre a coerência da agenda ambiental do país. O embaixador André Correa do Lago, responsável por presidir o evento, argumenta que não há contradição em buscar a neutralidade de emissões enquanto se explora novos campos de combustíveis fósseis.
Localizada no Atlântico, a aproximadamente 400 km da costa do Amapá, a Foz do Amazonas é considerada uma região ecologicamente sensível. A Petrobras aguarda aprovação do Ibama para realizar perfurações exploratórias. Ambientalistas temem que um possível vazamento traga consequências devastadoras para a biodiversidade local e para o clima global.
Correa do Lago sublinha que, embora emergências climáticas estejam mormente atribuídas a emissões de combustíveis fósseis, o petróleo ainda tem papel na transição energética, que requer investimentos pesados. Esta visão encontra eco nas declarações do presidente Lula, que defende veementemente a exploração como meio de financiar a transição.
Contrapondo-se à narrativa governamental, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, vem expressando oposição à exploração na região por ser uma área sensível e sujeita a altos riscos ambientais. Ela, todavia, reafirma que a decisão do Ibama será pautada por critérios técnicos rigorosos.
Correa do Lago também destacou as implicações da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris nas ambições internacionais de combate às mudanças climáticas. Ele afirmou que a ausência do país diminui a perspectiva de crescimento do financiamento climático global, estimado em US$ 1,3 trilhão anuais até 2035.
A escolha de Belém, cidade no Pará que lidera em desmatamento, como sede da COP30, é vista como uma oportunidade para trazer foco a uma das principais barreiras climáticas do Brasil. Para Lago, a escolha simboliza uma abertura para enfrentar o maior problema climático do país de forma transparente.
Oscilações em políticas ambientais, exploração de combustíveis fósseis e as decisões estratégicas do governo brasileiro no contexto das negociações internacionais na COP30 manterão a atenção do setor em uma batalha entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
