Capitais brasileiras estão se deparando com desafios formidáveis na corrida para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa (GEE), respondendo a metas estabelecidas pela Agenda 2030 da ONU. Um relatório recente do Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) lançou luz sobre a gravidade da situação. De acordo com o estudo, cinco das dez capitais mais populosas do Brasil precisam diminuir em mais da metade suas emissões líquidas de GEE para se alinharem ao limite pré-estabelecido de 0,83 tonelada por habitante.
Mantendo liderança indesejada, Manaus apresenta um perfil de emissões de 3,06 toneladas de GEE por habitante, bastante acima do objetivo almejado. Seguindo a capital amazônica, estão o Rio de Janeiro com 2,03 toneladas, e Belo Horizonte com 1,82. No extremo oposto, Salvador se destaca positivamente com 1,19 tonelada por habitante, destacando-se entre as cidades mais populosas pela adoção de estratégias que prometem viabilizar a redução do impacto ambiental.
O papel crucial das prefeituras é amplamente reconhecido pelos especialistas, que ressaltam a possibilidade de impactos significativos na redução de emissões a partir de intervenções estratégicas em três áreas principais. Primeiramente, o transporte público, que exigiria investimentos consideráveis em modais menos poluentes, como ciclovias ou veículos movidos a hidrogênio ou eletricidade. Nesse sentido, a mudança poderia desincentivar o uso de veículos particulares, potencialmente diminuindo o volume de GEEs urbanos.
A segunda área de foco é o consumo de energia, onde há uma clara necessidade de economia e o redirecionamento para fontes renováveis como solar e eólica. A eficiência energética, acoplada ao desenvolvimento dessas alternativas, poderia observar uma diminuição significativa das dependências atuais de fontes mais poluentes.
A gestão de resíduos representa o terceiro grande pilar de desafio às capitais, destacando-se a eliminação de lixões a céu aberto e investimentos em aterros sanitários bem planejados. Estas intervenções, além de mitigar a emissão de gases e ofensivas ao ambiente, poderiam auxiliar na dinamização de economias locais através da geração de emprego nas esferas de reaproveitamento e reciclagem.
No entanto, nem todas as capitais seguem uma trajetória positiva. Por exemplo, Belo Horizonte e Vitória mostraram crescimento nas emissões nos últimos anos. Em Belo Horizonte, os números de 1,82 tonelada por habitante em 2022 representam o maior pico desde 2015, reforçando que ainda existem desafios significativos a serem superados para reverter essa tendência.
Os especialistas alertam que ações como aumento de áreas verdes urbanas, apesar de seu valor para o conforto e qualidade de vida, têm um impacto relativamente limitado na captação de carbono. Medidas diretas e mensuráveis, como a reorganização do transporte e a transição para tecnologias de baixa emissão, são mais contundentes.
A conscientização ambiental, de acordo com os colaboradores do ICS, é uma necessidade urgente. Isso traria uma população mais engajada e incentivaria padrões de comportamento mais sustentáveis que complementam as estratégias e políticas municipais.
Com a aproximação das eleições municipais, a esperança é que esses assuntos ocupem lugar de destaque nas plataformas e debates políticos. A priorização dessas questões, assim como a formação de parcerias entre governantes e sociedade civil, é crítica para alinhar as capitais brasileiras com os objetivos climáticos globais e, assim, construir futuros urbanos viáveis e sustentáveis.
