Pesquisadoras da associação italiana APRE, composta por representantes dos setores acadêmico e privado, avaliaram métodos inovadores de comunicação da ciência para facilitar a compreensão e participação social sobre a bioeconomia sustentável e circular. O objetivo dessas metodologias é atender públicos não especializados, como crianças, jovens, educadores e cidadãos em geral.
Uma iniciativa relevante foi o projeto Engage4Bio, que promoveu atividades regionais conectando ciência, arte e design por meio de um concurso artístico. O concurso buscava inspirar criadores a desenvolver soluções sustentáveis usando arte e design, aproximando áreas tradicionalmente distantes, promovendo ações conjuntas que beneficiam a compreensão pública.
Outro projeto destacado foi o BIOVOICES, que lançou a primeira publicação infantil sobre bioeconomia. O livro “O que é bioeconomia?” apresenta 80 abas interativas destinadas ao público pré-escolar e primário, além de seus pais e professores, traduzindo conceitos científicos complexos de forma lúdica e simples. Dessa maneira, são esclarecidos os benefícios ambientais, sociais e econômicos da bioeconomia às crianças desde cedo.
Para intensificar ainda mais a formação infantil, a iniciativa GenB criou uma série de podcasts educativos para crianças de 4 a 8 anos. A partir de narrativas estimulantes, o podcast foi desenvolvido para despertar imaginação, curiosidade e facilitar a familiarização das crianças com temas como sustentabilidade e circularidade, tornando a bioeconomia um assunto atraente e acessível aos mais jovens.
Além disso, o projeto GenB também explorou o uso da fotografia participativa entre jovens como ferramenta pedagógica para aumentar a consciência sobre práticas sustentáveis. Jovens participantes usaram fotos e vídeos para identificar exemplos concretos de aplicações da ciência no cotidiano. Essa abordagem visual estimula reflexões mais profundas e críticas, fortalecendo o entendimento sobre escolhas de consumo responsáveis.
Paralelamente, o projeto BlueRev concentrou esforços na capacitação de indivíduos para o setor econômico baseado em bio-recursos. Por meio de treinamentos e seminários online, foram ampliadas as oportunidades de trabalho qualificado, direcionadas especialmente para pequenas empresas locais.
As autoras do estudo concluíram que essas técnicas inovadoras, centradas no engajamento interpessoal e uso criativo de narrativas e artes, mostraram-se eficazes para captar a atenção do público não especializado. O grande diferencial foi a criação de conexões genuínas e de confiança na comunicação científica, permitindo o empoderamento das comunidades sobre práticas sustentáveis. Esses achados apontam que tais metodologias têm potencial significativo para serem replicadas globalmente em outras ações de divulgação científica.
Fonte: Science Communication through Engagement and Outreach for the bioeconomy
