Uma formulação de microesferas de carboximetilcelulose reticuladas com íons de alumínio elevou a viabilidade do fungo Beauveria bassiana, empregado no controle biológico de pragas. Em ensaios de laboratório, 85% dos conídios encapsulados germinaram depois de cinco meses de armazenamento a -18 °C, enquanto o fungo sem a proteção apresentou 69%. O resultado ataca um ponto crítico para o uso desses agentes: a perda de atividade dos microrganismos ao longo da estocagem.
A técnica aplicada foi a gelificação ionotrópica. Nela, o material é gotejado em outra solução e forma esferas que encerram o microrganismo em uma estrutura polimérica. A carboximetilcelulose, derivada da celulose também utilizada para conferir textura a alimentos, ganhou conformação tridimensional com os íons de alumínio, que atuaram como elemento de ligação da estrutura. A cápsula busca, ao mesmo tempo, preservar o conteúdo e permitir sua liberação gradual na lavoura.
O interior das esferas contém células reprodutivas cultivadas em laboratório. Após a aplicação, elas se desenvolvem e liberam esporos que colonizam os insetos-praga. O B. bassiana provoca a muscardina branca e pode afetar grupos como moscas e mosquitos, besouros, percevejos, mariposas, borboletas, lagartas, cupins e gafanhotos. Segundo o estudo, esse mecanismo não causa danos a mamíferos; a maior durabilidade da formulação também pode reduzir o número de aplicações e o potencial de efeitos sobre espécies não alvo.
Os pesquisadores compararam a versão com alumínio a outra combinação de carboximetilcelulose e cálcio. Embora as duas tenham formado estruturas esféricas inicialmente, a diferença apareceu após a secagem. As partículas com alumínio conservaram a forma e exibiram maior uniformidade morfológica. As formulações com cálcio sofreram colapso estrutural e se uniram em conglomerados de tamanhos variados, com superfície mais áspera e irregular nas imagens de microscopia.
A superioridade física das esferas com alumínio tem implicações práticas para a produção. Além do tamanho mais regular, elas apresentaram maior estabilidade térmica e maior capacidade de retenção de água do que as partículas feitas com cálcio, uma característica relevante para preservar o fungo no interior da cápsula. A formulação com cálcio ainda prolongou a viabilidade em relação ao produto não encapsulado, mas a homogeneidade obtida com alumínio oferece uma base mais consistente para o controle de qualidade.
O método foi considerado simples, rápido e eficiente pelos autores, que identificaram conídios viáveis na superfície das esferas ao fim dos cinco meses de congelamento. A próxima etapa é verificar o desempenho do material em condições de campo e testar seu armazenamento em geladeira convencional, a 4 °C, e em temperatura ambiente. Esses resultados serão decisivos para avaliar se o ganho observado no laboratório se mantém nas condições logísticas e operacionais da agricultura.
O trabalho, desenvolvido por pesquisadores ligados ao Centro de Manejo Sustentável de Pragas, Doenças e Plantas Daninhas, sediado no Instituto Biológico, também abre espaço para avaliar outros fungos e ampliar o número de culturas atendidas. Há ainda a possibilidade de aplicação na pecuária, por exemplo contra carrapatos. Caso a eficácia em campo seja confirmada, a equipe afirma que o processo é escalonável, condição que pode reduzir custos e aproximar a tecnologia de uma utilização comercial.
Fonte: Cápsula de celulose prolonga vida útil e melhora ação de fungo usado como bioinseticida
