FAPESP e Inrae articulam nova etapa de cooperação em agricultura sustentável

A FAPESP e o Instituto Nacional de Pesquisa em Agricultura, Alimentação e Ambiente da França, o Inrae, discutem uma nova etapa de cooperação científica em agricultura sustentável. Em visita realizada em 6 de julho, uma delegação liderada por Philippe Mauguin, presidente do instituto francês, reuniu-se com a Fundação para avaliar temas de interesse comum, futuras chamadas de propostas conjuntas e mecanismos para aproximar pesquisadores de São Paulo e da França.

Dois eixos ganharam prioridade na conversa: a relação entre a produção agrícola e o produto que chega ao consumidor, e o vínculo entre saúde e alimentação. Para Mauguin, esses temas estão alinhados às agendas estratégicas do Inrae e encontram correspondência nas prioridades da FAPESP. Marco Antonio Zago, presidente da Fundação, também sinalizou que ambos os tópicos podem sustentar novas frentes de colaboração científica.

A aproximação não começa agora. Mauguin já havia visitado o Brasil em maio de 2024 com o objetivo de estreitar relações com a comunidade científica paulista. Desde então, segundo ele, foram geradas diversas publicações em parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo, sobretudo, além da Universidade Estadual de Campinas e da Universidade Estadual Paulista. A nova reunião indica a intenção de transformar esse histórico acadêmico em projetos mais estruturados.

O principal desdobramento em discussão é a cooperação com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, para estabelecer um centro de pesquisa voltado a desafios como mudanças climáticas e segurança alimentar. A proposta é integrar investigações em saúde planetária e agricultura, em um arranjo que o presidente do Inrae descreveu como estratégico e com alto nível de engajamento internacional para o instituto francês.

Para São Paulo, a pauta se conecta a uma base científica já consolidada. Segundo Zago, as pesquisas em agricultura receberam 10% dos recursos totais investidos pela FAPESP em 2025. A cooperação com a França também aparece de forma expressiva na produção acadêmica: foram 1.700 artigos científicos em parceria no ano passado, dos quais a área agrícola representou 10%.

A infraestrutura paulista foi apresentada como um fator decisivo para sustentar projetos de maior escala. O Estado reúne ao menos 12 faculdades distribuídas entre USP, Unicamp e Unesp, cinco institutos estaduais, cinco unidades da Embrapa e mais de uma dezena de empresas com atuação em pesquisa e desenvolvimento ligados ao setor. Esse ecossistema amplia a capacidade de converter cooperação científica em soluções aplicáveis à produção, à gestão ambiental e à segurança alimentar.

Zago também destacou centros apoiados pela Fundação em áreas estratégicas, como o Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical, o Centro de Pesquisa Avançada de São Paulo para Controle Biológico, o Semear Digital e o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura. Na reunião, também foram mencionadas áreas como bioeconomia, economia circular e resiliência climática, sinalizando que a cooperação pretende avançar para uma agenda agrícola capaz de combinar produtividade, adaptação ambiental e valor social.

Fonte: FAPESP e instituto francês planejam ampliar cooperação em agricultura sustentável

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