Estudo propõe novo índice para planejar manejo florestal em regiões mediterrâneas

Pesquisadores propuseram um novo modelo para planejamento florestal estratégico em ambientes mediterrâneos, com foco na ilha de Ibiza, na Espanha. O estudo, publicado no Journal of Environmental Management, aborda a necessidade de decisões mais racionais e fundamentadas para a alocação de recursos limitados em operações florestais, integrando produtividade, risco de incêndio, acessibilidade e estresse da vegetação.

O modelo é composto por duas partes principais: primeiro, a estimativa da produtividade florestal por sensoriamento remoto, com produção de mapas em escala regional do índice de sítio (SI) e do incremento médio anual (MAI); segundo, a incorporação desses dados em uma análise multicritério espacial (MCDA), com participação de especialistas locais, para construir um índice de prioridade de manejo florestal (FMP).

As estimativas de produtividade apresentaram erros relativos de 20,4% para o SI e 43,5% para o MAI. Embora elevados, os autores justificam esses níveis baseando-se na complexidade do mapeamento com dados de idade estimada por sensoriamento remoto e nos desafios específicos de pinhais não manejados. Mesmo assim, os resultados foram considerados consistentes com métodos de ponta usados em outras regiões.

A construção do índice FMP considerou ainda outros fatores como risco de incêndio, declividade do terreno, visibilidade da paisagem e acessibilidade, além de estresse vegetativo estimado por série temporal do índice de vegetação. Os dados foram padronizados e combinados via o método de utilidade ponderada (MAUT), e ponderações específicas foram estabelecidas para cinco cenários de planejamento: alta produção, proteção ambiental, mitigação de risco de incêndios, cenário atual (BAU) e cenário multipropósito.

Entre os cenários analisados, os de alta produção e gestão de risco de incêndio apresentaram as maiores áreas com alta prioridade de manejo. No cenário HIPR (alta produção), por exemplo, 903 mil m³ de madeira foram classificados como de alta prioridade de manejo, com crescimento médio anual estimado de 20.539 m³. Já o cenário BAU revelou a tendência de subutilização dos recursos florestais, refletindo as restrições orçamentárias, legais e operacionais enfrentadas atualmente.

A visualização espacial revelou que áreas planas e produtivas são priorizadas em cenários econômicos, enquanto regiões íngremes e com alto estresse tendem a receber prioridade em cenários ambientais ou de risco. As diferenças entre os cenários mostram como pesos atribuídos a cada critério afetam significativamente a alocação espacial do FMP.

Ao agregar os dados por unidades cadastrais e divisões municipais (paróquias), os autores demonstram como o índice FMP pode orientar decisões em diferentes escalas administrativas. A ferramenta resulta em uma base prática para que gestores aloque recursos disponíveis de forma mais eficiente e com maior retorno ambiental, econômico ou social.

Segundo os autores, a incorporação da produtividade florestal ao planejamento não apenas melhora a eficiência do manejo, como também fortalece estratégias de bioeconomia circular, imprescindíveis para a transição de paisagens vulneráveis a modelos resilientes. Essas práticas podem gerar produtos e serviços de base biológica com maior valor agregado e fortalecer a gestão do risco de incêndios em paisagens mediterrâneas altamente suscetíveis.

Embora o estudo traga uma abordagem replicável e fundamentada, os próprios autores destacam a necessidade de melhorias. Entre os desafios estão a acurácia da idade florestal estimada, a variabilidade na qualidade dos dados em áreas recentemente queimadas, e a ausência de restrições legais no modelo, como áreas protegidas ou faixas costeiras. Eles sugerem que o modelo sirva como ferramenta de apoio à decisão, a ser combinada com planos de manejo específicos.

A pesquisa contribui para o debate sobre o uso estratégico dos recursos florestais mediterrâneos, propondo um caminho para alinhar políticas públicas, infraestrutura industrial e capacidades técnicas locais em torno de processos produtivos sustentáveis e integrados.

Fonte: Integrating regional forest productivity maps with supplemental data to optimize forest management priority: A case study in Ibiza (Spain)

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