Um estudo com dados de 11 países da Europa Central e do Báltico entre 1990 e 2020 conclui que a elevação do consumo de energia renovável está associada a queda nas emissões de CO2, enquanto o uso de energia não renovável amplia as emissões. A análise busca preencher uma lacuna de evidências regionais em um conjunto de economias com trajetórias energéticas e industriais distintas, onde o debate sobre crescimento “eco-friendly” ainda é menos explorado.
A pesquisa utiliza um modelo econométrico de painel, o CS-ARDL (com checagens de robustez por AMG e CCEMG), justamente para capturar efeitos de curto e longo prazo e lidar com dependência entre países e heterogeneidade, fatores relevantes em regiões sujeitas a choques comuns, como mudanças regulatórias e flutuações de preços de energia. O recorte inclui Dinamarca, Estônia, Finlândia, Alemanha, Islândia, Letônia, Lituânia, Polônia, Noruega, Rússia e Suécia. O indicador principal é CO2 per capita, com variáveis explicativas como participação de renováveis e não renováveis no consumo de energia, PIB per capita (e seu termo ao quadrado), abertura comercial e urbanização.
No resultado agregado, o trabalho estima que um aumento no consumo de energia renovável se associa a uma redução de 0,486% nas emissões no curto prazo e de 0,574% no longo prazo. Na direção oposta, a energia não renovável aparece como vetor de alta nas emissões: 0,614% no curto prazo e 0,673% no longo prazo. O estudo também aponta que, na média do painel, PIB, abertura comercial e urbanização não apresentaram efeito estatisticamente significativo sobre a redução de emissões, um sinal de que mudanças na estrutura energética têm maior peso explicativo do que variáveis macroeconômicas tradicionais nesse conjunto.
Os autores testam ainda a hipótese de uma relação não linear entre renda e emissões (a chamada Curva de Kuznets Ambiental), mas o modelo não encontrou suporte para essa dinâmica no agregado (“EKC holds: No” no curto e no longo prazo). A leitura do estudo é que, para esse grupo de países e no período analisado, crescimento econômico por si só não se traduz, de forma consistente, em redução de emissões; o que diferencia os resultados ambientais é a composição da energia consumida.
Quando o olhar se desloca para o nível nacional, a heterogeneidade fica mais clara. Pelo recorte país a país, a energia não renovável está associada a maiores emissões em seis dos 11 países analisados, enquanto o consumo de renováveis melhora os resultados ambientais em cinco. O estudo observa, por exemplo, que em Dinamarca, Polônia, Noruega e Rússia a variável de renováveis não aparece como estatisticamente relevante para reduzir CO2 no exercício de robustez por país, reforçando a ideia de que políticas e estruturas produtivas nacionais modulam o efeito da transição energética.
O trabalho também relata diferenças pontuais em variáveis econômicas: o PIB aparece associado a aumento de CO2 na Islândia, enquanto sinaliza redução na Alemanha e na Letônia. Já a abertura comercial surge ligada a maior CO2 em Lituânia, Noruega e Suécia, e a urbanização é associada a aumento de emissões na Rússia, mas a redução na Suécia. O estudo inclui ainda testes de causalidade em painel, indicando relações bidirecionais entre PIB e CO2, entre renováveis e CO2, e entre PIB e as duas cestas energéticas (renováveis e não renováveis), além de apontar ausência de causalidade entre abertura comercial e CO2.
Na tradução para recomendações, o estudo defende que formuladores de políticas acelerem a expansão de infraestrutura de energia renovável com medidas como incentivos tributários, apoio financeiro a tecnologias de menor emissão e parcerias entre setor público e privado para a transição a economias de baixo carbono. Também sustenta que, dadas as diferenças entre países, estratégias precisam ser adaptadas às realidades nacionais, em vez de replicar soluções uniformes para toda a região.
Fonte: Can green energy curb emissions? Evidence from 11 Central European and Baltic Countries
