Um estudo inédito liderado por pesquisadores da Universidade Panteion, na Grécia, analisou o estágio inicial de transição das regiões da União Europeia (UE) rumo à bioeconomia, utilizando um conjunto de indicadores regionais selecionados por critérios de disponibilidade, aplicabilidade e relevância. A metodologia aplicada, segundo os autores, pretende oferecer ferramentas práticas para formulação de políticas regionais baseadas nas particularidades socioterritoriais de cada região europeia presente no projeto BIO2REG.
Embora a bioeconomia esteja consolidada na agenda política europeia desde meados dos anos 2000, o estudo aponta uma desigualdade significativa na implantação de políticas regionais. Apenas 28 das 242 regiões (nível NUTS II) da UE possuem estratégias dedicadas à bioeconomia. Outras 69 regiões estão em estágios intermediários de implementação, o que é considerado insuficiente diante do esforço de descarbonização e substituição de recursos fósseis por biológicos.
Para enfrentar a escassez de dados e padronizar a análise, os pesquisadores criaram um banco com 897 indicadores potenciais, mas aplicaram um rigoroso critério de validação baseado em sete parâmetros, como cobertura geográfica ampla e dados acessíveis. Apenas 37 indicadores foram aprovados na fase final de triagem, divididos em três grandes grupos: econômico, social e ambiental.
Além dos dados quantitativos, a avaliação incorporou dois indicadores qualitativos importantes: a existência de estratégias nacionais e regionais de bioeconomia. Segundo os autores, essas estratégias são fatores determinantes para o dinamismo e o potencial de transição em cada região. Regiões com planos específicos tendem a apresentar maior alinhamento institucional e melhor aproveitamento das suas características econômicas e geográficas.
Com base nesses dados, as 125 regiões de oito países – Alemanha, Espanha, Grécia, Bélgica, França, Suécia, República Tcheca e Islândia – foram classificadas com a metodologia TOPSIS, que avalia a distância entre o desempenho real de uma região em relação ao ideal e ao pior cenário. Os cinco primeiros lugares do ranking foram ocupados por Ile-de-France, Catalunha, Província de Antuérpia, Macedônia Central e Andaluzia.
Embora promissor, o ranking preliminar deve ser interpretado com cautela. Os autores reconhecem limitações decorrentes de lacunas significativas de dados regionais em várias áreas-chave, como produtividade agrícola e transporte, o que levou à exclusão de alguns indicadores. Além disso, foram feitas normalizações estatísticas para lidar com valores nulos e disparidades extremas entre regiões.
O estudo conclui destacando a urgência de aprimorar a infraestrutura de dados regionais na UE. A ausência de dados consistentes compromete a avaliação correta do potencial bioeconômico e dificulta a formulação de políticas baseadas em evidências. Como próximos passos, está prevista a expansão da metodologia para as demais regiões da UE e uma análise setorial específica para identificar quais regiões se destacam em setores bioeconômicos específicos, como florestal, agrícola, pesca e biotecnologia industrial.
Os autores propõem ainda testar metodologias de ponderação alternativas – como o método de entropia de Shannon – para refinar o sistema de avaliação e aumentar a robustez do modelo, ampliando sua aplicabilidade como ferramenta de planejamento para governos regionais e instituições europeias voltadas à sustentabilidade.
Essa abordagem estruturada e replicável representa uma tentativa inicial de preencher uma das principais lacunas da política pública europeia voltada à transição verde: a ausência de dados regionais comparáveis que permitam orientar investimentos com precisão e eficiência, favorecendo um desenvolvimento mais integrado e adaptado às realidades locais.
Fonte: A primary assessment of the EU regions’ transition towards bioeconomy
