Bioeconomia como solução para o desmatamento na Amazônia

A bioeconomia emergiu nos últimos anos como uma solução promissora para enfrentar a crise ambiental no Brasil, principalmente relacionada ao desmatamento na Amazônia. Recentemente, a discussão sobre a viabilidade e os desafios dessa economia ganhou foco durante a COP16 na Colômbia, onde lançou-se uma Rede Pan-Amazônica para Bioeconomia. A iniciativa une comunidades indígenas e produtores locais com investidores, promovendo uma economia baseada na natureza na região amazônica.

Julio Barbosa, presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, destacou a necessidade de investimentos no desenvolvimento de produtos nativos que valorizem os conhecimentos tradicionais. A proposta envolve, além de proteção ambiental, garantir que comunidades locais continuem a viver dignamente sem migrar para áreas urbanas, fortalecendo as economias locais. No entanto, obstáculos como assistência técnica e insegurança na posse de terra ainda persistem.

Marc Palahi, do Circular Bioeconomy Alliance, reforça a importância da liderança indígena no desenvolvimento da bioeconomia, alertando sobre os riscos que a superexploração pode trazer às tradições indígenas e ao equilíbrio ecológico. Um exemplo positivo vem do cultivo de baunilha selvagem na Amazônia, que está sendo desenvolvido em parceria com líderes indígenas.

Empresas como a Natura &Co já dão passos na direção de uma bioeconomia equilibrada, trabalhando com 44 comunidades na Amazônia para a obtenção sustentável de bioativos. A companhia busca proteger milhões de hectares de floresta em pé, aumentando esse número até 2030. A Natura também foi mencionada por sua relação transparente e a longo prazo com as comunidades extrativistas, garantindo sua adesão a certificações internacionais.

Contudo, a bioeconomia enfrenta desafios significativos. A exploração intensiva do açaí, que respondeu a uma explosiva demanda global, ameaça a biodiversidade da Amazônia, transformando o cultivo em monoculturas. Os trabalhadores também enfrentam riscos crescentes à saúde e segurança ao coletar os frutos em árvores altas.

No cenário global, a bioeconomia deve crescer significativamente até 2030, mas existe um risco de que, sem uma definição adequada, sirva para justificar práticas extrativas ao invés de regenerativas. Palahi enfatiza que uma adoção cuidadosa da definição de bioeconomia circular é crucial para evitar potencial desastre ambiental.

A bioeconomia continuará sob os holofotes em encontros futuros do G20 e COP30, sendo prioritário refinar o conceito para garantir que a prática conduza à regeneração ecológica. A potencial transformação econômica e ambiental que a bioeconomia representa pode ser uma peça-chave na manutenção da Amazônia enquanto pulmão do mundo.

Fonte: Can the bioeconomy help save the Amazon from deforestation?

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