Um estudo sobre tingimento natural de seda testou o extrato de casca de banana como biomordente sem metais em combinação com extrato de flores de calêndula. A pesquisa examinou não apenas a cor obtida, mas também a estrutura da fibra, a estabilidade do tingimento, a atividade antibacteriana, a proteção contra radiação ultravioleta e os fluxos de materiais e energia. O desenho experimental incluiu o sulfato de cobre como referência convencional.
A casca de banana foi escolhida por conter taninos e compostos fenólicos, enquanto as pétalas de calêndula forneceram o corante. Os materiais foram coletados de agricultores em Bangkok, na Tailândia. Foram comparadas três rotas de mordentagem: antes do tingimento, simultaneamente ao tingimento e depois do tingimento. Temperaturas de 30°C, 60°C e 90°C e tempos de 60, 90 e 120 minutos foram avaliados sobre tecido de seda previamente lavado.
O melhor desempenho de cor ocorreu na pós-mordentagem, a 90°C por 120 minutos: o valor de força colorística chegou a K/S de 3,64, o maior entre as condições investigadas. O aumento da temperatura e do tempo, sobretudo nessa rota, aprofundou a tonalidade e elevou a presença de vermelho, ao mesmo tempo em que reduziu a predominância do amarelo. A interpretação apresentada associa o resultado à deposição e às interações dos taninos da casca de banana com o corante e a fibra, após a penetração inicial dos compostos da calêndula.
As análises por microscopia eletrônica mostraram maior rugosidade e partículas depositadas na seda tratada com calêndula e biomordente, em comparação com o tecido sem tingimento e com a amostra apenas tingida. Já a espectroscopia no infravermelho não identificou alteração substancial na estrutura molecular da seda. Foram observadas variações compatíveis com compostos polifenólicos da banana e com interações por ligações de hidrogênio, o que indica que a retenção do sistema decorre principalmente de forças intermoleculares fracas, e não da formação de novas ligações químicas.
A principal propriedade funcional observada foi a proteção ultravioleta. A seda sem tingimento registrou fator de proteção ultravioleta de 9,16. Com calêndula, o índice subiu para 40,2 em condição seca e ultrapassou 50 em condição úmida. A amostra com biomordente de banana superou UPF 50 tanto seca quanto úmida. Os resultados indicam que a maior parcela dessa proteção está relacionada à capacidade de absorção ultravioleta do corante de calêndula; a deposição do extrato de banana contribuiu de forma adicional.
Na avaliação antibacteriana, tanto a seda tingida sem biomordente quanto a tratada com casca de banana reduziram em mais de 99,99% as colônias de Staphylococcus aureus após 24 horas. Para Klebsiella pneumoniae, as reduções foram de 74,16% e 68,54%, respectivamente. Como o desempenho foi próximo ou inferior após a mordentagem, o estudo atribui a atividade sobretudo aos compostos presentes na calêndula. A solidez à lavagem foi classificada como regular, nota 3, para a amostra sem mordente e para a rota com biomordente; a exposição à luz recebeu nota 4 em todos os tratamentos, inclusive com cobre.
A comparação de fluxos materiais e energéticos expõe uma escolha operacional relevante para a valorização de resíduos agrícolas. Por grama de seda tingida, a rota com banana utilizou 16,67 g de casca e 7,6 kWh de gás liquefeito de petróleo, ante 6 kWh na rota com cobre; ambas consumiram 100 ml de água e geraram 100 ml de efluente. A alternativa vegetal produziu 19,17 g de resíduo sólido, de origem biodegradável, enquanto a rota convencional empregou 2,5 g de sulfato de cobre e pode gerar efluente com íons metálicos. A pesquisa aponta que a extração adicional aumenta o consumo térmico e o manuseio de materiais, mas pode ser incorporada a linhas de tingimento natural e a arranjos produtivos locais onde resíduos de banana estejam disponíveis.
