A abertura do Curso Amazônia 2030: Bases para o Desenvolvimento Sustentável, realizada no Parque de Bioeconomia, em Belém, reuniu lideranças e profissionais para discutir caminhos de desenvolvimento para a região amazônica. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) participou da mesa de abertura com a presença do secretário Raul Protázio Romão e da secretária-adjunta Camille Bemerguy, em uma agenda voltada à consolidação de uma economia mais sustentável e inclusiva.
Na discussão, Raul Protázio Romão afirmou que o Pará vem estruturando uma política pública de bioeconomia apoiada em planejamento, pesquisa e valorização dos saberes tradicionais. Segundo o secretário, o Estado elaborou o primeiro plano estadual de bioeconomia do Brasil, com foco em cadeias produtivas e negócios sustentáveis, além de pesquisa, desenvolvimento e inovação e reconhecimento dos conhecimentos tradicionais e dos povos ancestrais.
O secretário apontou o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia como uma das formas de materializar essa estratégia, com a proposta de fortalecer negócios da sociobioeconomia, apoiar o processamento de produtos, estimular a pesquisa de novos ativos e ampliar o desenvolvimento de soluções a partir da biodiversidade amazônica. De acordo com a Semas, o equipamento foi entregue pelo governo estadual para promover integração entre ciência, tecnologia, inovação e saberes tradicionais.
Romão também destacou a atuação do Estado para fortalecer cadeias produtivas consideradas críticas, citando Castanha do Pará, açaí e cacau. No entendimento do secretário, essas cadeias têm capilaridade no território e mobilizam “dezenas e milhares de produtores”, o que coloca pressão por políticas que ajudem a ampliar a competitividade sem deslocar os compromissos de conservação ambiental e inclusão social.
Entre os pontos considerados decisivos para destravar a expansão, o secretário mencionou a necessidade de enfrentar barreiras e burocracias que, segundo ele, podem ser removidas por meio de diálogo permanente com produtores e comunidades. A aposta é que a redução desses entraves ajude a aumentar a produção sustentável e a exportação dos produtos, criando oportunidades de mercado alinhadas ao desenvolvimento do Estado.
Ao tratar dos desafios de escala e competitividade, Raul Protázio Romão defendeu que ciência, pesquisa e inovação são pilares para que a agenda avance. Ele avaliou que transformar a biodiversidade em produtos de maior valor agregado exige investimento público, formação técnica e fortalecimento de instituições de pesquisa, movimento que, segundo o secretário, vem sendo impulsionado pelo governo do Pará.
Na síntese apresentada na mesa, o secretário afirmou que, sem “ciência de ponta” e sem pesquisadores atuando nas cadeias e na identificação e transformação de bioativos, não será possível ampliar a escala dos produtos. Para o público do Curso Amazônia 2030, a mensagem central foi que o avanço da bioeconomia no Pará depende tanto de instrumentos de política pública, como o plano estadual, quanto de infraestrutura e articulação institucional, como o Parque, para conectar produção, conhecimento e inovação.
Fonte: Semas destaca oportunidades e desafios da bioeconomia na abertura do Curso Amazônia 2030, em Belém
