Estufas superam fazendas verticais em custo de produção de tomates no Catar

Uma análise econômica detalhada comparou dois sistemas de agricultura de ambiente controlado no Catar: estufas centralizadas e fazendas verticais descentralizadas, com foco na produção de tomates. Apesar do aumento global do interesse por fazendas verticais, o estudo conclui que, nas condições específicas do país, as estufas ainda representam a solução mais viável em termos de custo por quilo produzido.

Enquanto as fazendas verticais apresentaram um custo nivelado (LC) de produção de $3,77 por quilo, as estufas alcançaram um custo menor, de $3,19 por quilo. O principal fator para essa diferença é a abundância de luz solar no Catar, que favorece o uso de estufas e reduz a dependência de iluminação artificial — principal fonte de gastos nas fazendas verticais.

As fazendas verticais mostraram vantagem em termos de eficiência hídrica, consumindo até 90% menos água em relação à agricultura tradicional, graças a sistemas de circulação de ar com recuperação de umidade. Ainda assim, esse benefício não foi suficiente para compensar os altos custos estruturais e energéticos resultantes da necessidade de manter iluminação artificial e controle térmico constantes.

Nas estufas, os custos de operação são impactados principalmente pela necessidade de resfriamento e enriquecimento com CO₂ para manter as plantas em condições ideais de crescimento. O estudo demonstra que o custo do CO₂ tem um papel crítico na viabilidade econômica dos dois sistemas. Com o preço atual de $6/kg, a redução desse insumo para $2/kg pode diminuir o custo de produção nas estufas em 25,4%, e nas fazendas verticais em 8,2%.

Os custos de transporte também foram avaliados de forma rigorosa através de um modelo de roteamento com uso de ferramentas como Google Maps API. Nos cenários analisados, a distância total percorrida foi otimizada para 217 km, resultando em um custo de transporte de apenas $0,13 por tonelada de tomates, reforçando a competitividade das estufas situadas fora dos centros urbanos.

O estudo destaca que a escolha entre estufas e fazendas verticais não deve seguir uma lógica universal, mas sim considerar as condições locais. No caso do Catar, o pequeno território, o acesso subsidiado à água e eletricidade e a incidência solar favorecem economicamente as estufas tradicionais.

Por outro lado, as fazendas verticais têm o potencial de ganhar competitividade à medida que inovações tecnológicas avancem. A adoção de energia solar fotovoltaica, por exemplo, pode reduzir significativamente os custos com eletricidade, atualmente 71,6% mais altos que nas estufas. Tecnologias de captura e reutilização de CO₂ também podem mitigar os custos com esse insumo, transformando um fator de custo em uma solução circular.

Além dos aspectos econômicos, o artigo aponta que critérios ambientais também devem orientar políticas públicas, especialmente em regiões áridas. Vertical farms se destacam em termos de uso eficiente do espaço e da água, além de contribuírem para sistemas alimentares resilientes em ambientes urbanos densos.

Em resumo, embora hoje as estufas sejam mais econômicas no contexto do Catar, fazendas verticais poderão se tornar uma opção mais sustentável com o avanço de fontes renováveis, melhorias no controle ambiental e integração com infraestrutura urbana. O estudo reforça a importância de avaliações contextuais para orientar investimentos em agricultura de precisão em regiões desafiadoras.

Fonte: Economic assessment of greenhouse and vertical farm production systems in arid regions: a case study of Qatar

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