A pesquisa sobre o uso de fitoterápicos no Brasil, com foco na sociobioeconomia amazônica, destaca um problema central: a subutilização do guaraná em Farmácias de Manipulação (FM) e Farmácias Vivas (FV). Apesar das propriedades terapêuticas do guaraná, a substituição por espécies medicinais importadas de melhor qualidade vem prejudicando seu uso, especialmente em FVs.
As conclusões do estudo indicam a necessidade urgente de financiamento em pesquisas para explorar os benefícios terapêuticos de espécies nativas, como o guaraná, para potencialmente melhorar a disponibilidade de fitomedicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS). Esse investimento pode não apenas aumentar a oferta de fitoterápicos como também preservar a rica biodiversidade amazônica.
O relatório menciona que a produção de Insumos Farmacêuticos Ativos Vegetais (IFAVs) no Brasil ainda está aquém do esperado, com grande parte dos insumos sendo importados. Isso expõe uma vulnerabilidade da cadeia de produção, que pode ser prejudicada em cenários de crise global, como observado durante a pandemia de COVID-19.
As FM mostram um setor dinâmico, com potencial para crescimento, enquanto as FV enfrentam dificuldades para integrar a cadeia produtiva por falta de infraestrutura e financiamento adequados. Assim, há uma clara necessidade de políticas que incentivem e apoiem a produção e uso de fitoterápicos.
A não atualização da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) desde 2012 significa que muitos fitoterápicos potencialmente úteis não são considerados para compras governamentais pelo SUS, limitando a diversidade de tratamentos disponíveis no sistema público de saúde.
É urgente, portanto, fomentar a pesquisa na área de fitoterápicos, promover parcerias entre a academia e a indústria, e revisar listas como a RENAME para incluir novos fitoterápicos, de forma a alavancar a cadeia produtiva e fornecer uma resposta mais eficiente e baseada na biodiversidade para demandas de saúde públicas do Brasil.
Em suma, o estudo reitera a necessidade de integrar espécies nativas, como o guaraná, em formulações de fitoterápicos, o que pode, por sua vez, estimular a bioeconomia da Amazônia.
Fonte: Farmácias de Manipulação e Farmácias Vivas na Promoção da Sociobioeconomia Amazônica.
