O Governo do Pará iniciou em abril uma missão de supervisão para avaliar projetos financiados pela Cooperação Financeira Alemã, por meio do banco KfW, dentro do Programa Floresta em Pé. A agenda começou no dia 16 e teve, nos dias 22 e 23, uma reunião na sede da Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará, em Belém, reunindo gestores estaduais, representantes internacionais e instituições parceiras para examinar resultados técnicos, execução financeira e indicadores de desempenho das iniciativas em curso.
A pauta combinou gestão pública, financiamento e impacto territorial. Foram apresentados dados de execução, relatórios de gestão, políticas estaduais, avanços institucionais, instrumentos de comando e controle contra o desmatamento, além de outras fontes de financiamento e ações relacionadas aos projetos. A leitura central da reunião foi que a agenda de bioeconomia no Estado está sendo tratada de forma integrada à conservação ambiental, com foco em resultados mensuráveis e em capacidade de implementação.
A secretária adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, apontou que os avanços refletem a consolidação de uma estratégia estadual que aproxima conservação florestal, instrumentos de controle e fomento produtivo. Na avaliação apresentada, o Floresta em Pé funciona como eixo de articulação entre impacto ambiental e socioeconômico, apoiado por parceiros internacionais e por políticas públicas voltadas à permanência da floresta e à geração de renda nos territórios.
Um dos focos da programação foi o Realiza Pará, tratado como projeto estratégico para fortalecer a sociobioeconomia e contribuir para o legado ambiental do Estado no contexto da COP30. Representantes da Semas, do KfW e da Fundação Amazônia Sustentável discutiram a importância da cooperação internacional para impulsionar políticas de conservação e desenvolvimento sustentável. Também foram debatidos os próximos passos do programa, incluindo o Plano de Ação e Controle para o segundo ano de execução.
A missão também analisou o edital InovaSociobio, com atenção ao alcance territorial das iniciativas, ao perfil dos projetos apoiados e aos gargalos enfrentados pelas comunidades. Segundo a Semas, o instrumento integra a estratégia do Floresta em Pé e busca aproximar investimento, inovação e impacto direto nas comunidades, com fortalecimento de negócios comunitários, cadeias produtivas e geração de valor a partir de produtos da floresta.
Para o KfW, a combinação entre proteção ambiental e atividade produtiva é um ponto central da cooperação. Ingo Baum, gestor do banco presente na missão, afirmou que a avaliação permitiu observar casos de cooperativas beneficiadas pelo programa e resultados concretos para produtores, organizações locais e populações da floresta. Ele destacou o profissionalismo das cooperativas visitadas e o avanço na estruturação de cadeias produtivas de produtos florestais, em paralelo às ações de comando e controle.
Entre os beneficiários, a mudança mais visível está na possibilidade de deixar de vender apenas matéria-prima e passar a processar produtos com mais qualidade e acesso a mercado. Osvaldo Rebelo, cooperado da Agromel, em São João de Pirabas, relatou que a cooperativa vai implantar uma casa de despolpa de frutas certificada, com maquinários já definidos e parcerias em negociação para instalação e manutenção. Samuel Oliveira, diretor-presidente da Cooperativa Mista Agroextrativista da Resex Arioca Pruanã, em Oeiras do Pará, afirmou que o processamento é visto como caminho para aproveitar melhor a diversidade produtiva da floresta e fazer com que os produtos da cooperativa cheguem ao consumidor com origem reconhecida.
Fonte: Bioeconomia estratégica avança e gera renda para produtores no Pará
