O manejo participativo do pirarucu (Arapaima gigas) na Amazonas Central lança uma nova luz sobre a interação sustentável entre recursos naturais e economias locais, combinando conservação da biodiversidade com o fortalecimento das comunidades ribeirinhas. Desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), esse projeto integra práticas de bioeconomia, promovendo a geração de renda enquanto protege os ecossistemas.
A base teórica aborda a bioeconomia como um modelo de desenvolvimento sustentável, onde recursos biológicos são usados de forma eficiente e regenerativa. No caso do pirarucu, essa prática vai além da mera conservação, integrando conceitos de governança participativa e economia regenerativa para garantir que os esforços de manejo resultem em benefícios tangíveis para as comunidades locais.
O estudo evidencia que a sustentabilidade do manejo do pirarucu é alcançada por meio de práticas comunitárias de gestão de recursos, alinhadas a princípios de equidade e participação social. Tais práticas incluem a pesca sustentável, contando com a participação direta das comunidades para monitorizar e decidir sobre o uso dos recursos, promovendo a segurança alimentar e um desenvolvimento econômico sustentável.
Quantitativamente, o manejo mostrou notável crescimento populacional da espécie, favorecendo a recuperação dos estoques pesqueiros. Desde a implementação, a produção de pirarucu registrou um aumento de 427% nas áreas assessoradas, criando uma estabilidade econômica que potencializa os meios de subsistência locais.
A abordagem integrativa destaca a mobilização de várias organizações sociais e comunidades em mais de 22 municípios do Estado do Amazonas, indicando o potencial replicável do manejo participativo em outras regiões e ecossistemas. O foco em práticas sustentáveis possibilita acesso a novas políticas e mercados que valorizem o produto.
No entanto, desafios persistem, notadamente a necessidade de comunicação efetiva e a superação de barreiras logísticas, como infraestrutura inadequada. A conscientização dos consumidores sobre os benefícios associados ao manejo sustentável continua limitada.
Esse modelo participativo não só marca um avanço na gestão de recursos naturais, mas também traça um caminho para equilibrar conservação e ganho econômico, em alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O pirarucu emerge como um símbolo claro de como práticas locais podem contribuir significativamente para a sustentabilidade global.
Fonte: Bioeconomy in Central Amazon: Participatory Management of Pirarucu (Arapaima gigas). Bioeconomy in Central Amazon: Participatory Management of Pirarucu
