O crescente uso de plásticos na agricultura levanta preocupações ambientais significativas, em especial com a geração de resíduos plásticos agrícolas (APW). A falta de dados precisos sobre o uso de plástico no campo dificulta a gestão eficaz desses resíduos e pode resultar na formação de microplásticos no meio ambiente. Uma pesquisa inovadora realizada pelo Centro de Engenharia da Plasticultura (CEP) busca abordar essa lacuna através de tecnologias de sensoriamento remoto e aprendizado de máquina.
A pesquisa utiliza imagens de satélite para detectar áreas agrícolas que empregam o mulching, uma prática que utiliza filme de polietileno em plantações. Enquanto o mulching oferece benefícios como controle de umidade e temperatura do solo, seu descarte inadequado contribui para a poluição ambiental. O estudo alcançou notável precisão na detecção dessas áreas, chegando a quase 100%, uma inovação reveladora para o mapeamento de resíduos plásticos agrícolas na América Latina.
De acordo com o engenheiro Marlon Fernandes de Souza, a detecção precisa das áreas que utilizam esse plástico é fundamental. “Nosso projeto busca determinar a quantidade de resíduo produzida e propor soluções para seu gerenciamento sustentável”, afirma. Antes do estudo, não havia dados completos sobre o uso de mulching no Brasil, o que torna a pesquisa essencial para a implantação de ações corretivas.
Um dos grandes desafios para o manejo sustentável dos resíduos plásticos agrícolas é a falta de infraestrutura para coleta e reciclagem, sobretudo em locais distantes. A pesquisa conduzida pelo CEP não se limita a identificar essas áreas, mas também aponta a viabilidade de implantar sistemas de logística reversa para o recolhimento e reciclagem adequada do material.
A ausência de um sistema estruturado de coleta leva muitos pequenos produtores a acumularem grandes quantidades de plástico sem saber como descartá-los corretamente. “Os grandes produtores conseguem negociar a coleta com recicladores, mas os pequenos acumulam plástico”, explica Souza. Para solucionar essa questão, a pesquisa propõe a criação de um sistema semelhante ao Sistema Campo Limpo, que já funciona para embalagens de defensivos agrícolas.
Além das dificuldades logísticas, a falta de legislação específica sobre o manuseio do plástico na agricultura preocupa. Enquanto a FAO discute códigos de conduta para a gestão deste material, ainda não há regulamentação rígida. Assim, a pesquisa do CEP se torna um ponto de partida vital para promover discussões sobre melhores práticas e políticas públicas que viabilizem soluções sustentáveis.
Souza enfatiza que a pesquisa visa implementar métodos que permitam o uso benéfico do plástico na agricultura sem acarretar prejuízos ambientais. “Precisamos garantir que esse material seja utilizado de forma que não cause problemas ao meio ambiente. Nossa pesquisa está nessa vanguarda, oferecendo dados fundamentais para mudanças significativas no manejo de plásticos agrícolas”, conclui o pesquisador.
