Rede de educadores propõe colocar ensino de sustentabilidade no centro do 3º plano irlandês para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Uma submissão apresentada em consulta pública sobre o Terceiro Plano Nacional de Implementação da Irlanda para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável defende que a educação para o desenvolvimento sustentável deixe de ser tratada como atividade de apoio e passe a funcionar como mecanismo central de entrega das metas. O documento foi elaborado pela BEST Network, rede internacional com foco educacional, e propõe que o tema seja incorporado de forma estruturante ao plano, com governança, currículo, formação docente, participação juvenil e métricas de acompanhamento.

No diagnóstico, a submissão aponta uma lacuna relevante: apesar de enfatizar coerência de políticas e estruturas de governança, o Policy Coherence Scan da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico sobre a Irlanda (2025) não trata explicitamente do ensino ligado à bioeconomia. Para os autores, essa ausência limita a capacidade de conectar objetivos nacionais de sustentabilidade a transformações em escala de sistemas, justamente quando o país busca acelerar o cumprimento das metas, o documento menciona que, em julho de 2024, apenas 17% dos alvos estavam “no rumo” para 2030 segundo comunicação oficial citada na submissão.

A proposta se ancora em uma leitura crítica da implementação recente: o plano anterior (2022–2024) teria ampliado espaços de diálogo, como o Fórum Nacional de Partes Interessadas, e impulsionado iniciativas de visibilidade como o SDG GeoHive e o programa de campeões dos ODS. Mas, na avaliação apresentada, essas ferramentas operam principalmente no nível do engajamento e da conscientização, sem garantir a incorporação sistemática de aprendizagem ligada aos ODS em currículos, formação inicial e desenvolvimento profissional de educadores.

Entre os caminhos propostos, o texto destaca a integração de princípios como pensamento sistêmico, circularidade, limites ecológicos, transição justa e equidade intergeracional em diferentes etapas do ensino, do início da escolarização ao ensino superior e à aprendizagem ao longo da vida. O documento cita como avanço a criação, em 2025, da disciplina Climate Action and Sustainable Development no ciclo final do ensino secundário, mas insiste que o aprendizado deve começar antes e seguir uma progressão clara, em vez de depender de projetos eletivos ou iniciativas isoladas.

Para sustentar essa virada, a submissão pede medidas de formação docente com caráter mandatário: inclusão de competências ligadas a sustentabilidade e bioeconomia na formação inicial e na capacitação continuada, com suporte de recursos e programas financiados. O documento menciona que educadores frequentemente se consideram despreparados para lidar com temas complexos e com o impacto emocional dessas discussões em sala, e afirma que a estratégia irlandesa ESD to 2030 já reconhece “construção de capacidade” como prioridade, o que, na visão dos autores, deveria ser reforçado no novo plano.

Outra frente é a participação juvenil na governança dos ODS. A submissão recupera compromissos do Programa de Governo (2020) relacionados a maior envolvimento de jovens e defende mecanismos formais, como assentos permanentes de juventude no fórum nacional e a criação de um conselho consultivo juvenil. A lógica apresentada é que o protagonismo precisa ir além de campanhas e atividades voluntárias, vinculando jovens a processos decisórios e a projetos apoiados por financiamento dedicado.

Em termos de execução e accountability, o documento recomenda um pacote de governança e recursos: um mecanismo nacional de liderança ou coordenação interdepartamental para alinhar o plano, a estratégia educacional e reformas curriculares; a criação de um fundo com recursos carimbados para educação em ODS e bioeconomia; e um conjunto de indicadores específicos para medir resultados educacionais, como preparo de professores, integração curricular e práticas institucionais. A submissão sustenta que, sem métricas de educação, fica difícil avaliar a contribuição do aprendizado para o avanço nacional nas metas e ajustar políticas com base em evidências.

Fonte: Empowering Education for Sustainable Development- A Submission from the BEST Network for Ireland’s Third SDG National Implementation Plan – A Case for a Bioeconomy Approach

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