Presidente do BNDES defende papel crucial dos bancos públicos nas emergências climáticas

Em um cenário de crescentes desafios climáticos, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, destacou a importância fundamental da atuação dos bancos públicos na luta contra as emergências climáticas. Durante o painel “Desbloqueando fluxos financeiros — o papel dos fundos, instituições financeiras e governos nacionais no financiamento climático subnacional para soluções urbanas,” ocorrido no U20 Rio Summit, Mercadante defendeu que os bancos públicos são ferramentas rápidas e comprometidas com a redução das emissões de gases de efeito estufa e a transição para um consumo mais sustentável.

Mercadante salientou o papel vital que os bancos de desenvolvimento possuem na movimentação de recursos para o enfrentamento da crise climática. Segundo ele, o Brasil já lidera em termos de matriz energética limpa e renovável dentro do G20, e pretende estender essa liderança para a agenda ambiental. No entanto, ele reconheceu que a transição para fontes de energia mais sustentáveis apresenta desafios orçamentários significativos. “Esta transição é muito onerosa e não se faz só pelo mercado. Precisamos de políticas públicas e de incentivos financeiros sustentados pelos bancos de desenvolvimento”, afirmou.

O BNDES tem se destacado com iniciativas como o Fundo Clima e o Fundo Amazônia. Entre 2023 e 2024, foi um período de recorde nas liberações do Fundo Amazônia, incluindo o lançamento do edital Restaura Amazônia, realizado em parceria com a Petrobras, que destinou R$ 100 milhões não reembolsáveis para restauração ecológica na região. Outro destaque foi a criação da Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD), permitindo que os bancos de desenvolvimento captem R$ 10 bilhões anualmente por instituição no mercado.

O papel das cidades foi outro ponto central no discurso do presidente do BNDES. Ele ressaltou a necessidade de os municípios exercerem mais pressão sobre os governos nacionais para a implementação de projetos climáticos robustos e financiáveis. A prioridade para o BNDES é investir em reconstrução e adaptação urbanas, considerando soluções como a concepção de cidades-esponja e espaços de absorção de água da chuva. Mercadante mencionou projetos na região de Mariana (MG), Rio Grande do Sul, e melhorias no acesso a água potável no Nordeste, além do financiamento de Centros de Operações em grandes cidades.

Laurente Tubiana, presidente da Fundação Europeia para o Clima, e Chitembo Chunga, especialista sênior do Fundo Climático de Investimento, também participaram do painel, reforçando a importância da participação ativa das cidades na descarbonização econômica. Tubiana destacou que os cidadãos residem em cidades, não em nações, e que é essencial que prefeitos e governadores ofereçam suporte prático à causa.

Mercadante fez um apelo ao G20 e à COP30 por mais compromisso e recursos voltados para o Sul Global, pontuando a importância da solidariedade entre nações para acelerar os esforços climáticos globais. Para ele, a qualidade e a robustez dos projetos climáticos são fundamentais para garantir a disponibilidade de crédito e financiamento, uma visão corroborada por Josué Tanaka do Grantham Research Institute, que chamou atenção para o ritmo ainda lento da cooperação internacional.


Fonte: https://agenciadenoticias.bndes.gov.br/detalhe/noticia/Presidente-do-BNDES-defende-atuacao-de-bancos-publicos-no-enfrentamento-das-urgencias-climaticas/

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