A participação da Embrapa no Inova Amazônia Summit, realizado pelo Sebrae de 17 a 19 de setembro em Rio Branco, reuniu duas frentes que precisam avançar juntas: a articulação entre instituições e a aplicação de tecnologias nos territórios. No Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre, a programação tratou de governança regional, empreendedorismo feminino, clima, carbono e pecuária regenerativa.
Em painel com empreendedoras da região, Ana Euler, diretora-executiva de Inovação Social e Transferência de Tecnologia da Embrapa, apontou a distância entre o ingresso de mulheres por mérito e sua presença nos postos de alta gestão. Maternidade e falta de políticas de incentivo foram citadas como barreiras estruturais. O debate colocou a inclusão de gênero no campo das decisões institucionais, para além do reconhecimento da participação feminina nas cadeias produtivas.
Uma das iniciativas apresentadas foi o Observatório das Mulheres Rurais do Brasil, que organiza dados sobre estabelecimentos dirigidos ou codirigidos por produtoras. A plataforma também reúne publicações, editais e oportunidades de investimento. Ao tornar essa participação mais visível nas estatísticas, a proposta é oferecer subsídios a políticas voltadas às atividades agropecuárias, florestais e aquícolas.
Outra frente é o programa Mulheres Produtoras de Bem-Viver, estruturado a partir de escutas com lideranças de movimentos sociais. Seu plano combina criação conjunta de soluções, acesso a tecnologias já disponíveis, formação de capacidades e produção de indicadores para orientar novas pesquisas. A distinção é relevante: identificar demandas das produtoras antes de definir o que será desenvolvido ou transferido.
Com recursos de cooperação internacional viabilizados pelo programa Euroclima e apoio da Agência de Cooperação Brasileira, as ações priorizam empreendedoras indígenas em Roraima na produção de jujuba de cupuaçu; a extração de óleos de andiroba e pracaxi no Amapá; e farinhas de pupunha, tucumã e tubérculos no Pará. São cadeias distintas, com desafios próprios de agregação de valor, organização produtiva e acesso a oportunidades de negócio.
Ao discutir os obstáculos enfrentados por startups socioambientais, Euler associou o apoio do Sebrae, por meio dos programas Inova Amazônia e Inova Biomas, à necessidade de capital inicial, gestão, transferência de tecnologia e certificação. A combinação indica que desenvolver um produto não resolve, por si só, as dificuldades para transformá-lo em atividade econômica sustentada.
Na reunião sobre governança da bioeconomia na Amazônia, promovida pelo Sebrae durante o evento, a pauta foi construir uma visão regional compartilhada, identificar possibilidades de cooperação e definir pontos de contato entre instituições. O debate reuniu perspectivas de políticas públicas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, de competitividade do Sebrae e contribuições do Instituto Clima e Sociedade e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. A articulação foi apresentada como etapa para conectar capacidades institucionais e apoiar negócios nos territórios, não como um arranjo de governança já concluído.
A dimensão técnica apareceu nas Rotas da Inovação da Embrapa Acre, com visitas ao campo experimental e percurso de 1,5 quilômetro até uma castanheira-do-brasil. No espaço do evento, a unidade apresentou um néctar de açaí com cupuaçu e guaraná, a metodologia Netflora de identificação de espécies florestais com inteligência artificial e drones, e óleo essencial de pimenta-de-macaco voltado a bioinseticidas. Pesquisadores da unidade também participaram de discussões sobre integridade de dados e carbono, tecnologias agropecuárias e pecuária regenerativa, ampliando o diálogo entre pesquisa, produção e conservação.
Fonte: Inova Amazônia Summit: diretora Ana Euler debate governança da bioeconomia e visita Embrapa Acre
