Uma pesquisa propõe reduzir o universo de alternativas de origem biológica que precisam passar por uma avaliação completa do ciclo de vida antes de decisões industriais. Batizado de SCREEN-LCA, o método ordena produtos químicos e plásticos pelo impacto climático estimado das rotas atuais e, depois, examina se há caminhos alternativos compatíveis com a matéria-prima disponível e com o estágio de desenvolvimento das tecnologias. Na aplicação voltada à França, etileno, propileno e PET concentraram as prioridades para investigação posterior.
O ponto de partida foi estimar a pegada de gases de efeito estufa dos setores considerados. Para 2022, o estudo calculou 21,7 milhões de toneladas de CO₂ equivalente para plásticos básicos e 22,2 milhões para outros produtos químicos produzidos na França ou importados pelo país. Os números incluem produção doméstica e importações, sem descontar exportações; portanto, não representam o consumo interno francês. Eles servem para dimensionar o problema a ser examinado, não para medir quanto carbono as alternativas poderiam evitar.
Para sair das estimativas setoriais e chegar aos produtos específicos, os pesquisadores combinaram volumes físicos e fatores de impacto ao longo do ciclo de vida. A identificação dos principais produtos usou dados agregados da União Europeia como aproximação para a França, diante de lacunas nos registros franceses. Também foram retiradas categorias amplas demais para representar uma substância definida. Essa etapa orienta a triagem, mas limita a precisão de qualquer leitura dos resultados como retrato exclusivo da indústria francesa.
O levantamento seguinte reuniu 50 produtos de maior impacto estimado e suas possíveis rotas de origem biológica em uma base que conecta matérias-primas, processos, intermediários e produtos finais. Ao todo, o mapeamento abrange mais de 100 produtos e mais de 100 processos intermediários. Para selecionar caminhos viáveis no recorte adotado, a equipe considerou a biomassa residual potencialmente gerada na França, estimada em 107,1 milhões de toneladas secas por ano, e concentrou a demonstração em materiais lignocelulósicos. Esse volume é um potencial teórico, não uma indicação de oferta efetivamente disponível para cada rota.
O etileno ficou em primeiro lugar. Entre os caminhos avaliados, a conversão de etanol de origem biológica em etileno foi preferida para a próxima avaliação, por apresentar perspectivas comerciais mais favoráveis que a alternativa baseada em metanol, embora ambas tenham processos em estágios intermediários ou avançados de desenvolvimento. A escolha também considera o papel do etileno como insumo de outros produtos químicos identificados no levantamento. O propileno veio em segundo: a rota destacada parte da gaseificação de biomassa para produzir metanol, seguida de processos que o convertem em olefinas ou propileno. Nessas etapas, o estudo aponta experiências em escala piloto industrial.
Para o PET, terceiro na lista, o candidato selecionado foi o ácido polilático, obtido por fermentação para produção de ácido lático e posterior polimerização. A existência de produção comercial pesou na escolha, mas o material poderia substituir o PET apenas em determinadas aplicações. Outras possibilidades, como o polietileno furanoato, ficaram atrás por menor maturidade tecnológica. Rotas para compostos aromáticos presentes em cadeias de diferentes plásticos também foram identificadas, sem receber a mesma prioridade sob os critérios adotados.
A classificação não equivale a comprovar redução de emissões. O SCREEN-LCA examina um indicador ambiental por vez e não resolve possíveis trocas entre impactos; além disso, simplifica o destino dos materiais após o uso e deixa de fora os efeitos da fase de utilização, tratados como inalterados na substituição considerada. O próximo passo é comparar as rotas selecionadas com suas referências fósseis por meio de avaliações completas do ciclo de vida. Só então será possível quantificar seu desempenho ambiental e o potencial efetivo de mitigação.
