Um estudo recente avalia a viabilidade econômica da produção de biodiesel a partir de canola no Chile, com foco nas regiões de Biobío e Araucanía. A pesquisa utiliza indicadores financeiros como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e período de retorno do investimento para estimar o desempenho de projetos sob diferentes cenários de política pública e condições de mercado.
Os resultados mostram que a região da Araucanía apresenta uma conjuntura favorável para o investimento em biodiesel. Os projetos nessa área alcançam TIRs entre 19% e 31%, VPLs que variam de 3,5 a 16,4 milhões de dólares e retorno do investimento em menos de cinco anos em todos os cenários. Já em Biobío, a viabilidade financeira é negativa na maioria dos casos, com TIRs que chegam a -18%, VPLs negativos em até 2,2 milhões de dólares e ausência de retorno previsto.
A diferença entre as regiões é atribuída principalmente à maior produtividade agrícola e à disponibilidade de terras cultiváveis na Araucanía. Esses fatores contribuem para uma performance econômica mais robusta, mesmo na ausência de apoio estatal expressivo.
Apesar da existência de culturas com alto rendimento como a canola e o girassol, o Chile ainda não estabeleceu políticas obrigatórias de mistura de biodiesel ao diesel fóssil, o que desestimula investimentos no setor. Essa ausência de regulamentação contrasta com casos regionais como o Brasil, que implementou políticas de subsídios, mandatos de mistura e incentivos fiscais para desenvolvimento de sua indústria de biodiesel.
Segundo os autores do estudo, para que o Chile incentive efetivamente a produção de biocombustíveis líquidos, seria necessário adotar estratégias similares às de países vizinhos. Isso inclui subsídios à produção agrícola, programas de melhoria de rendimento, mandatos de mistura obrigatória e planos de implementação de longo prazo.
A limitada penetração do biodiesel no Chile é ainda mais notável frente ao contexto latino-americano. Em 2019, o Brasil produziu 6 bilhões de litros de biodiesel, em sua maioria com óleo de soja, enquanto Colômbia e Argentina também mantêm volumes significativos de produção. O Chile, por sua vez, concentrou seus esforços em biocombustíveis sólidos, mantendo-se distante de soluções líquidas como o biodiesel.
Mesmo diante das dificuldades, os autores apontam que a produção de biodiesel baseada em canola pode ser uma alternativa escalável para diversificar a matriz energética chilena, reduzir a dependência de combustíveis fósseis e promover o desenvolvimento rural. A viabilidade identificada na região da Araucanía reforça o potencial nas áreas de maior produtividade, desde que acompanhada por políticas públicas direcionadas.
O estudo também sugere que estratégias circularmente sustentáveis no setor agrícola devem integrar o planejamento energético de países em desenvolvimento. Ao estimular a produção eficiente de biomassa e sua conversão em energia renovável, há possibilidades concretas de aliar segurança energética, geração de emprego e mitigação ambiental.
Por fim, os autores enfatizam que, embora o Chile disponha dos recursos naturais e da capacidade técnica para desenvolver uma cadeia produtiva de biodiesel competitiva, a falta de instrumentos institucionais adequados continua sendo o principal entrave. A adoção de uma política coordenada pode transformar o atual cenário e posicionar o país de forma mais ativa na transição energética regional.
