Florestas continuam sendo um dos ativos mais estratégicos para o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mas a gestão florestal na Sérvia ainda segue um modelo tradicional, baseado na extração de madeira como principal recurso. Esse modelo negligencia outros produtos e serviços ecossistêmicos que as florestas oferecem, segundo indica uma pesquisa apresentada durante a International May Conference on Strategic Management, que propõe abordagens inovadoras para transformar o setor florestal.
Conduzido por um grupo de pesquisadores sérvios, o estudo identificou a necessidade de superar práticas extrativistas e incorporar estratégias modernas como o uso de tecnologias de sensoriamento remoto e SIG (Sistemas de Informações Geográficas), o manejo florestal inteligente para o clima (Climate-Smart Forestry – CSF) e os princípios da bioeconomia circular. A combinação desses elementos é apontada como fundamental para integrar a política florestal às metas ambientais, sociais e econômicas dos ODS.
Os autores destacam que a atual abordagem ignora grande parte do potencial econômico das florestas, como o aproveitamento de biomassa e de produtos não madeireiros. Em muitas áreas, por exemplo, resíduos de madeira permanecem inutilizados no solo, apesar de haver demanda e possibilidades tecnológicas para sua valorização. A pesquisa argumenta que intervenções pontuais não são suficientes. É necessário repensar toda a lógica de produção, consumo e conservação dos recursos florestais.
Uma das soluções centrais sugeridas é a adoção da Climate-Smart Forestry, que alia adaptação às mudanças climáticas, mitigação de emissões e benefícios sociais. Parte das medidas incluem o plantio de espécies mais resilientes, manejo proativo para sustentabilidade e uso estratégico da madeira para substituir materiais intensivos em carbono. Entretanto, como salientam os autores, não existe uma abordagem universal: as medidas precisam ser adaptadas às condições regionais.
Outro ponto enfatizado é a introdução da bioeconomia circular como conceito operacional na política florestal. Em lugar da lógica linear de extração e descarte, a economia florestal deve ser guiada pelos 4Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Recuperar), privilegiando o uso cascata da matéria-prima – isto é, priorizando as aplicações de maior valor antes que os recursos sejam descartados ou usados como energia. Isso inclui, por exemplo, produzir bioplásticos, bioquímicos e materiais de construção, ao invés do simples uso da madeira como lenha.
Tecnologias de geoprocessamento como o SIG e sensoriamento remoto têm papel estratégico para mapear, monitorar e analisar a dinâmica das florestas em tempo real. A integração entre diferentes camadas de dados permite não apenas planejar intervenções, mas também avaliar o impacto de políticas públicas e prever cenários de degradação ou recuperação ambiental.
Além do valor ecológico das florestas, o estudo ressalta sua contribuição para vários ODS, como o acesso à água limpa (ODS 6), a educação ambiental (ODS 4), o consumo sustentável (ODS 12), o combate às mudanças climáticas (ODS 13), a proteção dos ecossistemas terrestres (ODS 15) e a cooperação global (ODS 17). A transversalidade da agenda florestal exige, segundo os autores, uma atuação multissetorial que envolva comunidades locais, setor público, empresas e centros de pesquisa.
Como conclusão, os pesquisadores indicam que avanços tecnológicos e o compartilhamento de conhecimento devem ser o alicerce de uma nova visão para o setor florestal. A implementação bem-sucedida dessas abordagens pode promover não apenas maior resiliência ambiental, mas também gerar oportunidades para desenvolver cadeias de valor inovadoras, sustentáveis e inclusivas no meio rural. Contudo, alertam que isso só será possível com investimento em capacitação técnica e integração entre políticas ambientais, agrícolas e industriais.
A proposta apresentada funciona como um guia estratégico para países que buscam alinhar a gestão de seus recursos florestais às metas globais de sustentabilidade sem perder de vista as especificidades locais e as demandas econômicas.
Fonte: INNOVATIVE APPROACHE TO FOREST MANAGEMENT IN THE CONTEXT OF THE SUSTAINABLE DEVELOPMENT GOALS
