A bioenergia representa atualmente cerca de 70% de toda a energia renovável utilizada no mundo, segundo um novo capítulo do livro Forage Crops in the Bioenergy Revolution, publicado pela editora Springer. O levantamento, apresentado no capítulo “Present Scenario and Status of Bioenergy Sources and Production System”, indica que, apesar do domínio ainda evidente dos combustíveis fósseis, as incertezas logísticas, ambientais e econômicas no setor têm pressionado os formuladores de políticas a buscar alternativas sustentáveis como a bioenergia.
A pesquisa destaca o papel multifacetado da biomassa — que inclui resíduos florestais, resíduos agrícolas, produção de fibras, forragem e alimentos — na sustentação de sociedades humanas e ecossistemas. Em especial, a bioenergia tem peso significativo nos países em desenvolvimento, onde grande parte da população rural depende dela para fins como cocção e aquecimento doméstico.
O estudo também quantifica o uso final da bioenergia, apontando que o setor de edificações é responsável por 26% do consumo total mundial, englobando tanto formas modernas (como pellets e biogás) quanto tradicionais (como lenha). Esse dado reforça os desafios estruturais enfrentados no processo de transição energética, especialmente em contextos onde as soluções tecnológicas ainda não são acessíveis ou economicamente viáveis.
Do ponto de vista econômico, a crescente demanda por energia em diferentes setores está exertando pressão sobre os preços globais, particularmente em países dependentes de importação de energia. Este cenário favorece a adoção de fontes locais e renováveis, como a bioenergia, pelo papel que podem exercer na diminuição da dependência externa e na diversificação da matriz energética nacional.
No entanto, os autores reconhecem que os combustíveis fósseis permanecem dominantes no mercado, ainda que sinais crescentes de esgotamento de reservas, produtividade decrescente e altos custos de extração estejam levando países a antecipar soluções energéticas mais sustentáveis. Nesse cenário, a inovação em biotecnologia torna-se um diferencial crítico para melhorar os sistemas de refino de biomassa e criar novos bioprodutos.
Há também uma ênfase na convergência entre inovação tecnológica e ação pública. Governos estão adotando políticas e legislações para impulsionar a produção e o uso de bioenergia, muitas vezes alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como o ODS 7, que visa garantir acesso a energia limpa, acessível e confiável. A sinergia entre regulação estatal, aceitação pública e viabilidade técnica aparece como chave para a expansão sustentada do setor.
O crescimento das biotecnologias associadas à bioenergia é apresentado como um vetor de fortalecimento da bioeconomia. Isso inclui avanços no uso de resíduos e subprodutos agrícolas e industriais como fontes energéticas e o desenvolvimento de cadeias de produção mais eficientes e menos poluentes. A capacidade de integrar ciência, tecnologia e políticas públicas é apontada como essencial para construir sistemas energéticos resilientes com menor impacto ambiental.
Em síntese, o capítulo indica que o progresso da bioenergia depende tanto de inovações tecnológicas quanto de intervenções políticas estruturadas. Ainda que desafios persistam, especialmente nos países em desenvolvimento, os autores veem possibilidade concreta de avanço na medida em que os custos diminuem e os benefícios sociais e ambientais se tornam mais evidentes.
Para os setores industriais interessados em transição energética, o relatório reforça que há oportunidades de participação nas cadeias de valor da bioenergia, seja no aproveitamento de subprodutos, no desenvolvimento de novos equipamentos ou na implementação de infraestruturas para distribuição e consumo eficiente de biomassa derivada.
Fonte: Present Scenario and Status of Bioenergy Sources and Production System. Present Scenario and Status of Bioenergy Sources and Production System
