Mais de 30 instituições passaram a compor a Governança pelos Negócios da Bioeconomia Amazônica, articulação lançada em Rio Branco (AC) pelo Sebrae e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A proposta é coordenar iniciativas nos territórios amazônicos, reduzir a sobreposição de projetos e organizar uma agenda voltada à transformação de ativos socioambientais em desenvolvimento econômico sustentável.
O lançamento ocorreu no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre, durante o Inova Amazônia Summit. A governança terá como público prioritário pequenos negócios, comunidades tradicionais e cooperativas. A frente de trabalho combina inovação, crédito, capacitação, gestão e abertura de mercados para produtos extrativistas e artesanais.
A primeira decisão prática foi aprovar um cronograma de ações até dezembro. Entre 18 de setembro e 28 de outubro, as organizações participantes farão um levantamento de suas iniciativas, programas, dados, capacidades e oportunidades. O diagnóstico pretende dar visibilidade ao que já está em curso e criar uma base comum para a coordenação das ações.
O material será debatido em uma segunda reunião da governança, marcada para 30 de outubro. Nessa etapa, os participantes deverão validar microagendas territoriais e estabelecer prioridades. O desenho busca aproximar a formulação institucional das condições enfrentadas pelas cooperativas e por quem produz nos territórios.
Para o Sebrae, a articulação depende de reconhecer a realidade local e o papel das cooperativas na geração de renda. A instituição relaciona a conservação da floresta à possibilidade de as populações que vivem nela sustentarem suas famílias e acessarem oportunidades de desenvolvimento e qualidade de vida.
A secretária nacional de Bioeconomia do ministério, Carina Pimenta, afirmou que a iniciativa acompanha uma estratégia desenvolvida nos últimos quatro anos, período em que foi construído um marco legal e foram estruturados programas e diretrizes para políticas públicas. A nova governança procura conectar esses instrumentos às demandas de negócios e organizações da Amazônia.
Segundo os participantes, o trabalho integrado também deve enfrentar entraves como a informalidade e a dificuldade de acesso a tecnologia, crédito, gestão e mercado. A articulação considera uma população estimada em 28 milhões de pessoas na região e propõe conciliar a proteção da floresta com renda digna. A expectativa apresentada é que, após sua consolidação na Amazônia, o modelo possa ser replicado em outros biomas brasileiros.
