Uma análise comparativa entre países desenvolvidos e em desenvolvimento mostra que os efeitos das inovações tecnológicas verdes e não-verdes na relação entre crescimento econômico, consumo de energia renovável e emissões de CO₂ não são uniformes e dependem do estágio de desenvolvimento de cada nação. A conclusão é de um estudo que examinou o período entre 2007 e 2020 em dez dos principais países geradores de eletricidade a partir de fontes solares, eólicas e hidroelétricas.
Os resultados indicam que nos países desenvolvidos, a tecnologia verde, quando combinada ao uso de energias renováveis, potencializa o crescimento econômico e reduz significativamente as emissões de carbono. Já a inovação tecnológica não-verde – associada a tecnologias não diretamente voltadas à sustentabilidade ambiental – tende a exercer efeitos prejudiciais nesse grupo de países, elevando as emissões e não trazendo ganhos econômicos relevantes.
O cenário se inverte nos países em desenvolvimento. Neles, o estudo constatou que a aliança entre tecnologia não-verde e energia renovável está associada tanto à redução das emissões quanto ao impulsionamento do crescimento econômico. Em contraste, a introdução de inovações verdes nesses contextos mostrou-se contraproducente, com efeitos negativos tanto para o crescimento quanto para as emissões.
A pesquisa utilizou modelos econométricos robustos – DOLS, FMOLS e regressão quantílica – para mensurar os efeitos diretos e interativos das inovações tecnológicas sobre o desempenho econômico e ambiental. As conclusões desafiam a suposição amplamente difundida de que tecnologias verdes proporcionam, de forma uniforme, benefícios ambientais e econômicos.
Segundo os autores, nos países desenvolvidos, tecnologias verdes ampliam a eficiência energética e contribuem para políticas mais eficazes na redução de emissões, especialmente quando integradas a fontes hidroelétricas e eólicas. Em contrapartida, tecnologias não-verdes nesses contextos parecem introduzir gargalos ambientais, mesmo mantendo algum suporte a ganhos de produtividade.
Já nos países em desenvolvimento, os autores afirmam que a tecnologia não-verde cumpre papel estratégico de transição, ao permitir ganhos em eficiência e oferta energética em etapas onde infraestrutura, recursos e capacitação técnica são ainda deficitários. Isso ajuda a criar condições futuras mais favoráveis à adoção efetiva de tecnologias realmente sustentáveis.
Os dados também mostram que o impacto das tecnologias, seja verde ou não, depende não apenas de seu tipo, mas das interações com a estrutura produtiva local, o estágio de desenvolvimento tecnológico e o desenho institucional. A introdução de painéis solares, por exemplo, pode aumentar as emissões em países em desenvolvimento se não forem consideradas as emissões associadas à sua fabricação e descarte.
Os autores recomendam que estratégias tecnológicas em energia renovável sejam ajustadas ao contexto local, priorizando o alinhamento entre as capacidades institucionais e os objetivos de desenvolvimento. Para países desenvolvidos, a ênfase deve estar na expansão de inovações limpas e no fortalecimento de cadeias produtivas com menor pegada ecológica. Já nos países em desenvolvimento, políticas públicas devem reconhecer o papel complementar de tecnologias não-verdes na fase de transição.
Entre as limitações da pesquisa estão a concentração em apenas dez países e a análise macroeconômica, que não capturam os efeitos heterogêneos nos setores industriais ou nas firmas. A sugestão para futuras investigações é ampliar o escopo geográfico e considerar variáveis institucionais, como regulação ambiental e capacidade de governança.
O estudo reforça a importância de uma abordagem crítica e contextualizada no debate sobre inovação tecnológica e sustentabilidade. Ele propõe que a bioeconomia sustentável deve reconhecer os trade-offs implicados em cada tipo de inovação, ponderando impactos ecológicos e viabilidade econômica.
