Um estudo recente trouxe evidências de que o resíduo da biomassa gerada após a extração de óleos essenciais de Ammodaucus leucotrichus pode ser aproveitado de forma eficiente em aplicações cosméticas e farmacêuticas, promovendo práticas mais sustentáveis no escopo da bioeconomia circular.
Pesquisadores compararam três métodos de extração – destilação por água (WD), destilação por vapor (SD) e extração assistida por micro-ondas (MAE) – para avaliar como essas técnicas influenciam a composição química e as propriedades bioativas da biomassa residual. O objetivo foi identificar a abordagem mais eficaz para aplicações sustentáveis, com destaque para o uso em produtos antienvelhecimento e antioxidantes para a pele.
Os resultados indicam que a MAE se destacou ao preservar os compostos bioativos mais potentes. A técnica levou à obtenção de altos teores de nobiletina (78,74 mg/g), um flavonoide com comprovadas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Também demonstrou a maior atividade antioxidante nas análises DPPH (80,01 %), FRAP (87,36 %) e ABTS (82,99 %).
Nos testes de inibição enzimática, que apontam o potencial antienvelhecimento dos extratos, a biomassa extraída via MAE mostrou alta eficácia na redução da atividade de enzimas associadas ao envelhecimento da pele: colagenase (85,71 %), hialuronidase (74,93 %) e tirosinase (85 %). Esses percentuais superaram amplamente os obtidos pelos métodos WD e SD.
Além disso, o estudo avaliou o impacto dos extratos nas células do fibroblasto dérmico humano (HDFa). As análises demonstraram baixa toxicidade dos compostos obtidos por MAE, aliados a uma diminuição da produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), aumento na síntese de colágeno e elevação da produção de ácido hialurônico, dois componentes diretamente ligados à integridade e rejuvenescimento da pele.
A análise de componentes principais (PCA) reforçou as distinções entre os métodos, destacando o perfil químico mais benéfico dos extratos obtidos por MAE. Já a destilação por água teve melhor desempenho na preservação da neohesperidina (99,91 mg/g), um composto também valorizado por seu potencial antioxidante, embora com desempenho inferior ao da MAE em relação às propriedades antienvelhecimento.
Segundo os autores, a aplicação desses compostos pode auxiliar no desenvolvimento de formulações naturais voltadas à proteção e renovação da pele, reduzindo a dependência de ingredientes sintéticos e ampliando o aproveitamento de materiais que normalmente seriam descartados como resíduos.
O trabalho ressalta que a valorização da biomassa residual se alinha diretamente aos objetivos do desenvolvimento sustentável, especialmente em relação à mitigação das mudanças climáticas e à gestão mais eficiente de recursos biológicos. A pesquisa ainda sugere que futuras investigações podem explorar a escalabilidade dos processos com MAE e seu potencial em outras espécies vegetais.
Os dados obtidos demonstram que, com a escolha adequada da tecnologia de extração, é possível transformar rejeitos industriais em ativos de alto valor para a indústria cosmética e farmacêutica, fortalecendo a perspectiva da conversão de resíduos em valor no contexto da bioeconomia.
