Biomassa azul: um futuro sustentável para a construção

A utilização de biomassa azul na indústria da construção poderia se tornar uma peça fundamental na busca por soluções sustentáveis frente à crise climática global. Um estudo do Centre for Information Technology and Architecture, Institute of Architecture and Technology da Royal Danish Academy destaca as capacidades promissoras dessa biomassa, como a captura de CO₂ por organismos fotossintéticos marinhos, incluindo algas e microalgas, além da mineralização de carbono por mariscos, como mexilhões e ostras. Essas características abrem caminho para o desenvolvimento de materiais de construção biogênicos mais sustentáveis.

A pesquisa destaca o potencial de exploração dos chamados alimentadores de segunda e terceira geração, que muitas vezes são descartados como resíduos. Exemplos incluem conchas de moluscos, que poderiam ser transformadas em novos materiais para a construção civil. No entanto, o desafio reside em renovar a nossa relação com esses recursos de maneira sustentável, necessitando de uma compreensão mais profunda de seus ciclos de vida e seus impactos no ambiente.

No contexto mais amplo, a biomassa azul é definida como biomassa marinha e aquática que pode ser selvagem, cultivada ou até mesmo proveniente de florescências algais em lagos. Estas podem ser transformadas, por exemplo, em bioplásticos ou empregadas vivas para processos de biotransformação, como biorremediação. O sucesso na aplicação desses materiais depende de uma série de fatores, desde a seleção da espécie de origem até o processamento pós-colheita.

A pesquisa sugere que a aquicultura regenerativa, que usa organismos aquáticos para desempenhar serviços ecossistêmicos com pouca intervenção, pode ser uma abordagem inovadora no cultivo de biomassa azul. Embora o processo biotecnológico envolva infraestrutura para produção e colheita, demonstra uma flexibilidade potencial para integração em operações industriais já existentes, promovendo uma simbiose industrial que pode, eventualmente, ser incorporada em edifícios.

Os desafios e as oportunidades apresentados pela biomassa azul são diversos. A pesquisa destaca a necessidade de avaliações sustentáveis quantitativas, como Análise do Ciclo de Vida (LCA) e Avaliação Tecno-Econômica, para validar a eficácia e a circularidade desses materiais. Entender todo o ciclo, do nascimento à morte desses materiais, é crucial para inovar na concepção e fabricação de componentes arquitetônicos bio-based.

Contudo, o estudo enfatiza que, à medida que essa biomassa é adaptada às variações geográficas e climáticas, a diversidade dos produtos derivados pode ser explorada em diferentes regiões e contextos de construção. Isso requer que as estratégias de design sejam sensíveis, considerando a natureza temporal desses recursos e equilibrando as necessidades materiais com a disponibilidade de biomassa.

O caminho sugerido pelo estudo aponta para um futuro onde a biomassa azul não só atende demandas de sustentabilidade, mas também enriquece o campo de opções materiais na construção civil, integrando práticas inovadoras com biotecnologia e design contemporâneo.

Fonte: How can blue biomass contribute to a more sustainable built environment?

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