CPA é criado para enfrentar greening na citricultura brasileira

A recente iniciativa da FAPESP, Fundecitrus e Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP representa um marco significativo no combate às principais doenças da citricultura, especialmente o greening, que afeta hoje 44% dos pomares paulistas. Com um investimento robusto de R$ 200 milhões, o recém-lançado Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA) busca enfrentar um desafio que já devastou a lavoura na Flórida e ameaça gravemente a agricultura do Estado de São Paulo.

Lançado em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, o CPA tem como missão desenvolver pesquisa, difundir conhecimento e transferir tecnologia para o setor de citricultura, que responde por mais de 8% das exportações paulistas e gera 45 mil empregos. Segundo o governador Tarcísio de Freitas, o centro será crucial para evitar que São Paulo sofra o mesmo destino da Flórida em relação ao greening.

Os fundos serão divididos entre aportes financeiros de R$ 90 milhões por parte do Fundecitrus e FAPESP, além de contrapartidas não financeiras – como melhorias em infraestrutura e remuneração de técnicos. A iniciativa também reforçará a aliança entre pesquisa pública e privada, ancorada no compromisso de oferecer soluções sustentáveis fitossanitárias para os problemas da citricultura.

Entre as principais linhas de pesquisa do CPA, está a formação de novos grupos dedicados ao aprofundamento do conhecimento sobre a interação patógeno-planta-vetor, e no controle do greening. A aplicação prática dessas pesquisas abrange desde resistência genética das plantas até métodos de controle químico, biológico e cultural do vetor da doença, com o objetivo de mitigar impactos econômicos e fomentar uma produção mais sustentável.

O impacto negativo do greening é significativo: uma redução de 36,5% na área de produção de laranja, com mais de 154 milhões de árvores afetadas. A doença também elevou os custos de produção em cerca de 20%, demonstrando a urgência em adotar medidas eficazes para seu controle. Juliano Ayres, diretor-executivo do Fundecitrus, destacou que o CPA representa um marco na busca por soluções sustentáveis e na esperança de desenvolver mecanismos de prevenção ou cura para a doença.

No futuro, o CPA expandirá suas pesquisas para incluir estudos sobre mudanças climáticas, genética da interação planta-patógeno e outras doenças da citricultura. Esta abordagem holística é planejada para garantir uma cadeia produtiva mais resiliente e menos vulnerável a ameaças fitossanitárias. Os responsáveis esperam não apenas responder eficazmente a essas ameaças, mas também transferir tecnologias para ampla aplicação dentro e fora do estado.

Ademais, o CPA se dedicará à formação de recursos humanos e à disseminação de conhecimento, oferecendo programas de pós-graduação e cursos online para um público diversificado. Este compromisso com a educação e transferência de tecnologia é fundamental para a sustentabilidade das práticas agrícolas, com impacto econômico positivo no setor e uma resposta forte e coordenada contra o greening. Com uma ampla rede de parceiros internacionais, o CPA ainda pode alavancar conhecimentos globais para fortalecer a citricultura paulista e sua posição de destaque no mercado global.

Fonte: FAPESP, Fundecitrus e Esalq/USP investem R$ 200 milhões no combate às principais doenças da citricultura. Título do artigo usado como fonte

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