O greenwashing ainda representa um desafio considerável no Brasil, com taxas alarmantes que permanecem inalteradas há mais de uma década, conforme indica a pesquisa inédita da Market Analysis. O estudo revela que, mesmo após intensa cobertura de responsabilidade socioambiental em discursos corporativos, muitas empresas ainda se valem de estratégias de marketing para maquiar seus produtos como ecológicos, sem acrescentar os devidos benefícios ambientais.
De acordo com a pesquisa revelada pela primeira vez pela Página22, a taxa de produtos que exibem algum tipo de alegação ambiental infundada chega a 81%, uma variação mínima desde seus primeiros levantamentos nos anos de 2010 e 2014, que registravam números similares. As categorias de produtos de limpeza despontam como as mais associadas a essas práticas, com um aumento expressivo de 27% nas taxas de greenwashing.
A prática, também conhecida como “maquiagem verde”, atrai críticas acentuadas por confundir consumidores que buscam fazer escolhas mais conscientes e sustentáveis. Dos 2.098 produtos analisados, foram detectados 4.509 apelos ambientais, sendo cada produto “decorado” em média com 2,1 afirmações do tipo em 2024, uma alta em comparação com a média de 1,3 observada em 2014.
A pesquisa vem agitando o mercado, especialmente entre os consumidores brasileiros, que se mostraram cada vez mais críticos em relação às alegações verdes das empresas. O público mantém um interesse constante na responsabilidade socioambiental, com taxas significativas de consumidores afirmando que suas escolhas de consumo são influenciadas pela percepção de como as empresas lidam com essas questões.
Dentre os diferentes “pecados” do greenwashing identificados, o principal consiste na Incerteza. Dessa forma, continuam populares as afirmações vagas como “amigo do meio ambiente” ou “sustentável”, que não fornecem informações concretas sobre os reais impactos ambientais. No entanto, outras táticas como o “culto aos falsos rótulos” apresentaram declínio, enquanto alegações como “irrelevância” e “custo ambiental camuflado” se tornaram mais prevalentes.
Notavelmente, algumas categorias de produtos estão começando a se destacar por melhorias em suas práticas ambientais. Os brinquedos, artigos infantis e cosméticos apresentaram um aumento significativo na presença de certificações ambientais legítimas, o que sugere uma resposta da indústria aos crescentes apelos do público por práticas autênticas e verificáveis.
Pelo contrário, o setor de eletroeletrônicos não tem seguido essa tendência positiva, refletida por uma queda no número de selos oficiais válidos, indicando talvez uma não prioridade do setor de tecnologia em questões de sustentabilidade. Este contraste evidencia a tal fragmentação de estratégias empresariais em torno do tema ambiental, com algumas categorias aprofundando seus compromissos enquanto outras parecem recuar.
Os dados deste estudo tornam claro que, embora haja um interesse crescente por parte dos consumidores em práticas responsáveis, muitas empresas ainda precisam abraçar de fato projetos mais sustentáveis e transparentes. O apelo do mercado é cada vez mais forte e explicitamente direcionado a essas expectativas, que por sua vez, podem pressionar as empresas a aderirem a práticas que vão além de promessas vazias e adornos sem substância real.
Assim, o trabalho da Market Analysis oferece uma visão crítica e essencial na compreensão das dinâmicas de consumo e da relação intrínseca entre práticas de greenwashing e a busca por autenticidade no Brasil, estimulando tanto empresas quanto consumidores a avaliarem cada vez mais criticamente seus papéis no mercado.
Fonte: https://pagina22.com.br/2024/11/15/greenwashing-no-brasil-mantem-taxas-alarmantes-mostra-estudo/
