Uma nova pesquisa analisou o papel de diferentes organizações no estímulo à recombinação de conhecimento tecnológico na Bioeconomia Circular, oferecendo uma radiografia inédita das colaborações interorganizacionais em regiões da União Europeia. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Turim e do Collegio Carlo Alberto, concentrou-se em como universidades, organizações de pesquisa e tecnologia (RTOs) e empresas atuam como mediadores – ou brokers – de conhecimento em redes de pesquisa financiadas pela União Europeia entre 2015 e 2019.
Com base em dados de 338 projetos colaborativos relacionados à Bioeconomia Circular no programa Horizon 2020, o estudo avaliou o impacto dessas organizações na geração de novas combinações tecnológicas. Os autores utilizaram análise de redes e modelos econométricos, cruzando essas informações com dados de patentes regionais, para medir como o conhecimento circula e se transforma em inovação tecnológica.
Os resultados demonstram que universidades e RTOs são mais eficazes como intermediários em colaborações entre diferentes regiões, enquanto empresas têm mais impacto ao atuar localmente, conectando atores dentro da mesma região. Essa distinção está alinhada com os diferentes perfis institucionais: universidades operam em um modelo de ciência aberta que favorece a disseminação ampla de conhecimento, enquanto empresas tendem a priorizar trocas com parceiros próximos e confiáveis.
A análise identificou três tipos principais de intermediação, definidos pela tipologia de Gould e Fernandez: coordenadores (dentro da mesma região), porteiros (entre região e exterior) e ligadores (entre regiões diferentes). As universidades destacaram-se nas funções de ‘ligadores’ e ‘porteiros’, o que reflete sua capacidade de integrar conhecimento vindo de fora e traduzi-lo para aplicações locais. Já as empresas mostraram maior efetividade como coordenadoras, atuando dentro de seus próprios ecossistemas regionais.
Enquanto o papel das universidades como broker foi positivamente correlacionado com a geração de patentes que referenciam tecnologias da Bioeconomia Circular, esse efeito foi estatisticamente insignificante para as empresas quando consideradas redes inter-regionais. Por outro lado, no contexto intra-regional, as empresas apresentaram impacto significativo, reforçando seu papel como conectores locais.
Para os autores, esses achados têm implicações diretas para políticas públicas voltadas ao fortalecimento de ecossistemas regionais de inovação. Estratégias que fomentem o papel coordenador de empresas locais e, ao mesmo tempo, apoiem a atuação de universidades e RTOs como pontes inter-regionais de conhecimento, podem elevar a eficácia dos investimentos públicos em pesquisa colaborativa.
O estudo também revela que a simples co-localização geográfica não é suficiente para garantir a circulação de conhecimento. O que importa são interações estruturadas e funcionais em redes de colaboração. A centralidade das regiões nessas redes – medidas por sua posição em termos de conexões e intermediação – foi significativamente associada à sua capacidade de gerar novas patentes tecnologicamente recombinadas.
Embora promissor, o trabalho também apresenta limitações. Ele não diferencia entre colaborações nacionais e internacionais, não explora variações setoriais e tecnológicas e oferece uma perspectiva estática, limitada a cinco anos. Os próprios autores reconhecem esses pontos como oportunidades para pesquisas futuras que investiguem, por exemplo, como redes de inovação evoluem ao longo do tempo e como diferentes configurações institucionais moldam a geração de conhecimento em campos emergentes como a Bioeconomia Circular.
Fonte: Knowledge brokers for Circular Bioeconomy: evidence from European regions
