Estudo com dados de 1996 a 2023 examina como produção industrial, desenvolvimento humano e energia limpa afetam a renda de recursos naturais nos BRICS

Um estudo publicado em dezembro de 2025 analisa, com base em dados de 1996 a 2023, como produção industrial, desenvolvimento humano e tecnologias de energia verde se relacionam com a renda de recursos naturais nos países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A pesquisa usa técnicas econométricas em painel, com destaque para o método MG-ARDL, para observar efeitos de curto e longo prazo e a forma como esses países ajustam desequilíbrios ligados ao uso de recursos.

No centro da investigação está a variável renda total de recursos naturais (participação no produto interno bruto atribuída a recursos como florestas, petróleo, gás e minerais), confrontada com indicadores de atividade industrial, Índice de Desenvolvimento Humano, crescimento econômico, abertura comercial, emissões de dióxido de carbono e crescimento populacional. Segundo o resumo do trabalho, os resultados colocam a produção industrial como um fator que impulsiona a renda associada aos recursos naturais, ao mesmo tempo em que reforçam a necessidade de equilíbrio para evitar distorções em sustentabilidade e desenvolvimento.

Uma mensagem central do estudo é a de que desenvolvimento humano aparece como força “transformadora” na eficiência do uso de recursos: com melhores condições em saúde, educação e renda, haveria maior capacidade de orientar escolhas e políticas que favoreçam uso eficiente e sustentabilidade de longo prazo. A pesquisa também destaca que o avanço de tecnologias de energia limpa reduz a dependência de recursos finitos, sinalizando transição gradual rumo a alternativas renováveis e maior resiliência ambiental.

O trabalho também associa crescimento econômico e abertura ao comércio ao aumento de receitas derivadas de recursos, interpretando esse canal como uma forma de “alavancar” riqueza natural para objetivos mais amplos de desenvolvimento. Em contrapartida, aponta que o crescimento populacional exerce influência negativa consistente sobre a renda de recursos naturais, sugerindo pressão demográfica sobre a sustentabilidade. Já as emissões de CO₂ são tratadas como um componente de efeito complexo, que exige políticas direcionadas para mitigar impactos econômicos e ambientais simultaneamente.

Na parte empírica apresentada, o estudo descreve um painel com 140 observações (cinco países ao longo de 28 anos). Na estatística descritiva, a variável ligada à produção industrial aparece com maior média (lnind 3,3727) e o indicador de desenvolvimento humano com a menor (lnhdi -0,3804). A análise de multicolinearidade aponta VIF médio de 1,67, com todos os valores abaixo de 10, sinalizando ausência de multicolinearidade relevante entre as variáveis usadas no modelo.

As correlações reportadas indicam que a renda de recursos naturais (lnTNRR) tem associação positiva estatisticamente significativa com desenvolvimento humano (lnHDI) e com abertura comercial (lnTR). Ao mesmo tempo, apresenta correlação negativa com tecnologias de energia verde (lnGET) e com crescimento populacional (lnPG), reforçando o desenho de trade-offs e interdependências que o artigo busca capturar ao longo do período.

Do ponto de vista de qualidade do ajuste econométrico, os autores reportam testes de raiz unitária e dependência entre seções do painel. Os resultados do teste de dependência entre países indicam presença de dependência entre seções para variáveis como renda de recursos naturais, produção industrial, desenvolvimento humano e crescimento populacional, o que é compatível com efeitos comuns de interdependência entre economias do bloco ao longo do tempo. Para tecnologias de energia verde e emissões de CO₂, o teste sugere ausência de dependência entre seções, interpretada no texto como maior autonomia nacional nessas agendas dentro do conjunto analisado.

Fonte: Digital Twins, Green Manufacturing, and the Bioeconomy

Compartilhar