O quinto leilão do Eco Invest Brasil teve R$ 49,95 bilhões homologados para investimentos em seis cadeias produtivas. A rodada recebeu 23 propostas de seis instituições financeiras, que somaram R$ 181,3 bilhões em demanda por fundos de inovação e crédito corporativo. O valor demandado, portanto, não corresponde ao montante aprovado: a execução dos investimentos dependerá da estruturação dos fundos e das operações pelos bancos selecionados.
A maior parcela homologada, R$ 11 bilhões, foi destinada à circularidade de resíduos minerais e industriais, cerca de 22% do total. O Bradesco foi selecionado para essa cadeia e para as de fertilizantes verdes, bioinsumos e proteínas alternativas, com R$ 9 bilhões, e biomateriais e química verde, com R$ 8,5 bilhões. A distribuição coloca o aproveitamento de resíduos e o desenvolvimento de insumos entre as prioridades da rodada.
As outras três cadeias ficaram com Itaú, Santander e HSBC. O Itaú foi selecionado para automação e inteligência artificial aplicada a processos produtivos e tecnológicos, com R$ 9,75 bilhões; o Santander, para beneficiamento de minerais críticos, baterias e mobilidade elétrica, com R$ 6,5 bilhões; e o HSBC, para combustíveis verdes avançados, biogás e biometano, com R$ 5,2 bilhões. Bradesco, Citibank, HSBC, Itaú, Santander e Banco do Brasil haviam participado da disputa.
No recorte por atividades priorizadas nas propostas, reciclagem e valorização de resíduos respondem por R$ 8,8 bilhões, seguidas por automação, robótica e manufatura inteligente, com R$ 8,11 bilhões. Biofertilizantes, bioinsumos e biodefensivos somam R$ 7,2 bilhões, enquanto baterias e sistemas de armazenamento de energia representam R$ 4,55 bilhões. Esses valores detalham prioridades dentro das cadeias e não devem ser somados novamente aos R$ 49,95 bilhões homologados.
O desenho do leilão combina fundos de inovação, crédito corporativo e fomento à pesquisa e ao empreendedorismo tecnológico. Do capital público previsto para apoiar as operações, R$ 9 bilhões irão aos fundos e R$ 4,2 bilhões ao crédito. Segundo os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Fazenda, a relação estimada entre os recursos mobilizados e o aporte catalítico do Tesouro é de aproximadamente 3,8 para 1. Cabe aos bancos constituir os fundos e oferecer crédito a empresas aptas a ampliar a produção.
A conexão com a pesquisa aparece nas contrapartidas: as propostas homologadas preveem aproximadamente R$ 249,8 milhões não reembolsáveis, no primeiro ano, para pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e empreendedorismo de base tecnológica. Também está prevista a destinação de 10,25% a 20% dos investimentos dos Fundos de Inovação a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em cooperação com universidades e instituições científicas e tecnológicas. O critério de seleção favoreceu maior participação de capital estrangeiro, parcerias de pesquisa e iniciativas de aquisição e internalização de tecnologias.
Para as empresas das cadeias contempladas, o alcance da rodada estará na conversão desses compromissos em financiamento, projetos de pesquisa e capacidade produtiva. O programa integra o Plano de Transformação Ecológica e busca atrair capital privado nacional e internacional para projetos de impacto econômico, social e ambiental. Com cinco leilões realizados, o Eco Invest Brasil informa ter mobilizado mais de R$ 190 bilhões e contar com 13 instituições financeiras credenciadas.
Fonte: 5º leilão do Eco Invest Brasil tem R$ 49,95 bilhões homologados para seis setores produtivos
