Embrapa e MMA estruturam agenda de sociobioeconomia para a Amazônia Legal

A Embrapa, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, iniciou uma nova fase do Projeto BIAmazon, voltada à construção de uma agenda de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação para a sociobioeconomia na Amazônia. A etapa reúne oficinas participativas em territórios estratégicos da Amazônia Legal, com a meta de pactuar prioridades para os próximos cinco anos a partir das demandas de comunidades locais, agricultores familiares e instituições parceiras.

A primeira oficina ocorreu em 22 de abril, em Maués, no Amazonas. Até junho, a programação deve alcançar 11 territórios em oito estados, numa tentativa de aproximar planejamento técnico, políticas públicas e realidade produtiva regional. O desenho do projeto indica uma preocupação central: evitar que a agenda de inovação seja formulada de forma distante dos territórios onde sistemas produtivos, conservação ambiental e geração de renda se encontram de maneira concreta.

Segundo o pesquisador Roberto Porro, da Embrapa Amazônia Oriental e coordenador do BIAmazon, o trabalho busca consolidar uma agenda estratégica capaz de articular conservação ambiental com desenvolvimento econômico e social das comunidades. As discussões incluem a definição de sistemas produtivos e cadeias de valor ligados a espécies florestais nativas, espécies nativas cultivadas, pesca artesanal, piscicultura e criação animal.

O escopo das oficinas vai além da identificação de produtos com potencial econômico. As conversas incluem manejo, cultivo, agregação de valor e modelos de negócios sustentáveis, além de tecnologias sociais de apoio aos meios de vida, à conservação e à restauração florestal. Um ponto sensível da iniciativa é preservar o protagonismo das comunidades tradicionais, tratando seus conhecimentos e prioridades como parte da tomada de decisão, e não apenas como insumo consultivo.

A nova rodada se apoia em dados coletados em 40 oficinas de consulta realizadas entre 2024 e 2025 pelo próprio projeto, com participação de comunidades tradicionais, agricultores familiares e instituições parceiras. Também entram na análise ações já desenvolvidas ou planejadas por equipes da Embrapa e de organizações que atuam nos territórios, bem como as metas previstas no Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia.

Lançado em abril de 2026, o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia estabelece a estratégia brasileira para promover o uso sustentável de recursos biológicos até 2035. Entre seus eixos estão a integração entre inovação, bioindústria e saberes tradicionais, com metas relacionadas à rastreabilidade, à restauração de 2,3 milhões de hectares e à valorização da sociobioeconomia. Ao alinhar as oficinas a esse plano, o BIAmazon cria uma ponte entre diretrizes nacionais e demandas territoriais específicas.

A agenda de campo segue com oficinas em Santarém, no Pará, nos dias 29 e 30 de abril; Ouro Preto, em Rondônia, em 5 de maio; Rio Branco, no Acre, em 8 de maio; Macapá, no Amapá, nos dias 12 e 13; Breves, no Marajó paraense, em 21 de maio; e Caracaraí, em Roraima, em 27 de maio. Em junho, a série passa por Viana, no Maranhão, em 2 de junho; Altamira, no Pará, em 11 de junho; Palmas, no Tocantins, em 16 de junho; e se encerra em Benjamin Constant, no Alto Solimões, Amazonas, em 23 de junho.

Entre os produtos já publicados pelo BIAmazon está o Atlas da Bioeconomia Inclusiva na Amazônia, lançado em novembro de 2025 durante a COP30, em Belém. Organizado pela Embrapa com apoio da Secretaria de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o material reúne análises sobre 107 microrregiões dos nove estados da Amazônia Legal. Em dez capítulos, sistematiza informações sobre demografia, estrutura fundiária, produção agropecuária, extrativismo, silvicultura e indicadores sociais, oferecendo uma base técnica para decisões públicas e privadas voltadas ao desenvolvimento regional sustentável.

Fonte: Embrapa inicia série de oficinas para consolidar agenda de bioeconomia na Amazônia

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