A utilização da biomassa na Grécia ganha destaque como uma alternativa promissora para promover a sustentabilidade, independência energética e gestão adequada de resíduos, especialmente nas regiões de Macedônia Central, Creta e Peloponeso. Estas regiões possuem recursos agrícolas distintos e estão adotando diferentes métodos para a exploração dessa matéria-prima renovável.
Na Macedônia Central, destacam-se resíduos provenientes de agricultura, silvicultura, pecuária, culturas energéticas, além de resíduos industriais e municipais biodegradáveis. Cultivos importantes incluem cereais, algodão e milho, com áreas reconhecidas por suas oliveiras e frutíferas. Embora sejam abundantes, esses recursos ainda são pouco explorados, especialmente devido à fragilidade dos modelos de governança e da baixa adoção tecnológica. Ainda assim, a perspectiva de financiamentos europeus e o interesse crescente por práticas sustentáveis podem impulsionar o setor.
Uma das principais vantagens esperadas na região inclui redução de emissão de CO₂ e melhoria da fertilidade dos solos, gerando benefícios simultâneos para agricultura sustentável e gestão ambiental. A incorporação desses resíduos agrícolas ao sistema produtivo permite expandir práticas sustentáveis, com chance real de tornar a região um modelo nesse campo.
Creta, por sua vez, utiliza o forte setor oleícola para impulsionar sua bioeconomia regional. Biomassa gerada a partir de caroços de azeitonas e resíduos de poda garante recursos para geração substancial de energia. Exemplificando esse avanço, uma unidade pioneira em Heraklion converte resíduos em biogás e eletricidade, adotando tecnologias eficientes para tratamento de odores e resíduos líquidos e promovendo desenvolvimento econômico e emprego local.
Adicionalmente, as iniciativas locais buscam aprimorar o processamento nas indústrias tradicionais de azeite, migrando sistemas produtivos para tecnologias menos intensivas em água. Essa transição tem o potencial de gerar resíduos mais secos, facilitando o reaproveitamento eficiente da biomassa na região.
No Peloponeso, o avanço é ainda mais expressivo, posicionando a região como referência nacional em gestão de resíduos. Investimentos na ordem de 167 milhões de euros permitiram estabelecer unidades avançadas que reaproveitam acima de 80% dos resíduos biodegradáveis e proporcionam energia verde suficiente para abastecer milhares de residências.
Também merece destaque a Unidade de Processamento de Resíduos de Arcádia, onde inovadoras tecnologias de gaseificação convertem resíduos de azeitona em eletricidade e calor. A implantação dos “pontos verdes” em Kalamata fortalece ainda mais a economia circular via compostagem, ampliando benefícios ambientais e econômicos, com redução significativa dos custos para os habitantes locais e geração de empregos.
Apesar dos avanços identificados, desafios importantes permanecem na governança regional e na efetiva adoção tecnológica da biomassa como fonte energética na Grécia. Porém, explorando de forma adequada fundos europeus, fortalecendo parcerias público-privadas e engajando efetivamente as comunidades locais, essas regiões demonstram que é possível avançar significativamente rumo ao desenvolvimento sustentável integrado.
