Estudo revela lacunas na literatura de bioeconomia e destaca foco econômico

A bioeconomia tem se posicionado como um elemento central nas políticas ambientais e climáticas, visando a sustentabilidade global. Contudo, um novo estudo revela que a literatura científica sobre o tema ainda possui lacunas significativas. Apesar da crescente valorização das práticas sustentáveis, a pesquisa verifica que muitas discussões são mais voltadas para competitividade e crescimento econômico do que para abordagens ambientais e sociais equilibradas, essenciais para uma economia verdadeiramente sustentável.

A pesquisa analisou a literatura sobre bioeconomia dos últimos 50 anos e encontrou uma ênfase econômica desproporcional, refletindo em preocupações quanto ao equilíbrio entre interesses ambientais, sociais e econômicos. Destaca-se um foco intensificado em inovação e desenvolvimento econômico, com cerca de 60% dos termos analisados em publicações científicas associados a essa dimensão. Por outro lado, a dimensão social, crucial para uma transição realmente sustentável, é representada por apenas 15% dos termos, apontando para uma marginalização preocupante.

O estudo identificou oito lacunas críticas no campo, entre elas a relação entre bioeconomia e segurança alimentar, o uso e impacto da água, coesão nas políticas públicas, e práticas de consumo sustentável. A ausência de discussões mais aprofundadas sobre temas sociais, como os direitos fundiários e as práticas inclusivas, especialmente tradicionais e indígenas, denota uma preocupação quanto à integralidade das abordagens direcionadas aos desafios globais.

Embora a literatura sobre bioeconomia evidentemente trate de inovação e conhecimento, ainda há uma carência em termos de estratégias que utilizem conhecimentos existentes e práticas comprovadas, incluindo os sistemas de conhecimento tradicional e indígena. Isso implica que, apesar do potencial e dos avanços científicos, as soluções propostas podem não atender totalmente aos desafios contemporâneos.

A análise sublinha a urgência pela integração interdisciplinar e pela co-criação de soluções que contemplem não apenas avanços econômicos, mas também promovam igualdade social e conservação ambiental. O sucesso no desenvolvimento de uma bioeconomia sustentável e circular dependerá de como as políticas e estratégias podem ser moldadas a partir de uma base científica sólida e abrangente.

Em suma, enquanto a bioeconomia oferece caminhos promissores para mitigar impactos climáticos, a necessidade de equilibrar suas múltiplas dimensões não pode ser ignorada. As direções futuras da pesquisa acadêmica devem priorizar essas lacunas, garantindo que a política de bioeconomia seja bem informada e efetivamente sustentável.

As sugestões incluem, sobretudo, o reforço das consultas inclusivas, a avaliação de riscos e a consideração de práticas sustentáveis que foquem na redução do desperdício e na conservação de recursos naturais.

Fonte: Does the bioeconomy literature provide a balanced view of sustainability?

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