Relatório propõe reposicionar Europa como líder em bioeconomia com foco em inovação e sustentabilidade

O Instituto Finlandês de Recursos Naturais (Luke) publicou um documento estratégico que propõe transformar a competitividade europeia por meio do fortalecimento da bioeconomia. Com foco em tecnologias emergentes e sustentabilidade, o relatório defende uma reorientação da política industrial da União Europeia (UE), promovendo a adoção de soluções baseadas em recursos biológicos renováveis e uma produção primária mais inovadora.

O estudo aponta que a Europa vem perdendo terreno na produção global de biomateriais. Enquanto a produção de madeira serrada e celulose cresceu significativamente na China e América do Sul desde 2010, os volumes europeus se mantiveram estagnados ou em queda. Essa tendência reduz a capacidade da UE de gerar valor agregado em cadeias baseadas em biomassa.

Para reverter esse quadro, o relatório recomenda ações para fortalecer a resiliência de crise e a capacidade inovadora da Europa. Entre as propostas está a criação de um instrumento de financiamento europeu para tecnologias de ruptura, inspirado no relatório Draghi, com foco em áreas como inteligência artificial generativa, computação híbrida e melhoramento genético.

Outro eixo central é o uso responsável e diversificado de recursos naturais, especialmente florestas. A intensificação da demanda por serviços ambientais e a crescente pressão sobre os ecossistemas florestais europeus exigem novos modelos de gestão. O documento sugere valorizar os serviços ecossistêmicos — como biodiversidade, água limpa e armazenamento de carbono — por meio de certificações, créditos de natureza e novos modelos de negócios baseados em valores imateriais.

No setor de agricultura e silvicultura, a proposta é ampliar o uso de tecnologias digitais, como sensores remotos e inteligência artificial. A meta é implementar uma produção mais precisa e adaptável, capaz de responder às mudanças climáticas e reduzir perdas. Isso inclui o desenvolvimento de ferramentas preditivas e sistemas de apoio à decisão para orientar práticas de manejo adaptativo.

O relatório também levanta a urgência de renovar as cadeias de valor alimentares. A UE continua altamente dependente de nutrientes e insumos importados. Como resposta, é sugerida a constituição de uma estratégia europeia de Nexus Água-Energia-Alimento, baseada em reciclagem de nutrientes, uso sustentável da água e integração de energias renováveis ao setor agrícola.

Além da inovação no campo, o estudo demanda investimentos públicos em infraestruturas tecnológicas europeias para conectar laboratórios a fábricas. Isso deve facilitar a transição de pesquisas para a industrialização de produtos bioinovadores, permitindo a criação de ecossistemas regionais voltados à bioeconomia.

Para concretizar esse cenário, o documento destaca a necessidade de políticas industriais que incorporem os princípios da bioeconomia e promovam uma sociedade biológica, ou biosociedade, que alia inovação tecnológica à responsabilidade ambiental e social.

Entre os desdobramentos, está a proposta de um quadro europeu de competências técnicas para a bioeconomia, com foco em práticas regenerativas, agricultura digital, uso de dados e inteligência artificial voltadas à sustentabilidade. Essa estrutura buscaria capacitar profissionais para novos paradigmas produtivos nos setores de alimentos, madeira e produtos químicos.

O estudo reafirma que o sucesso da bioeconomia como alicerce da competitividade europeia depende de direcionamento político claro e investimento contínuo em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Para isso, defende uma missão específica da UE dedicada à promoção de tecnologias emergentes aplicadas à bioeconomia, como elemento central da recuperação econômica e segurança estratégica do bloco.

Fonte: Europe’s competitiveness compass points to the biosociety

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