Bioeconomia florestal ganha espaço em reunião internacional na FAO

A bioeconomia florestal ocupou o centro das discussões na terceira reunião do Grupo de Amigos da Bioeconomia, realizada na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, em Roma, no contexto do Dia Internacional das Florestas 2026. O encontro reuniu representantes de diferentes regiões para trocar experiências e alinhar abordagens sobre uma agenda global mais coordenada para o setor.

A reunião foi copresidida pelo embaixador da União Europeia, Martin Selmayr, e pela embaixadora do Brasil junto às Nações Unidas em Roma, Carla Barroso Carneiro. A organização ocorreu em conjunto com a FAO e teve participação de países como Colômbia, Brasil, Panamá, Áustria, Suécia, Japão, Tanzânia, Malásia, Austrália, Sérvia e Israel.

O foco nas florestas deu ao debate uma dimensão prática: como transformar recursos biológicos, conhecimento técnico e políticas públicas em cadeias produtivas mais sustentáveis, sem perder de vista critérios de conservação, geração de renda e governança. Os países participantes apresentaram práticas e abordagens nacionais, sinalizando que a bioeconomia baseada em florestas está deixando de ser apenas uma pauta ambiental para se consolidar como tema econômico, regulatório e comercial.

A União Europeia levou ao encontro sua nova moldura estratégica, o “Strategic Framework for a Competitive and Sustainable EU Bioeconomy”, lançado em novembro de 2025 e endossado nesta semana pelo Conselho da União Europeia. O documento foi apresentado como parte do esforço europeu para tratar a bioeconomia como vetor transversal de sustentabilidade, crescimento verde, pesquisa, inovação e criação de empregos.

Entre os objetivos declarados do grupo está a construção de uma agenda global sustentável para a bioeconomia, combinada à promoção de um comércio justo e baseado em regras. Para profissionais e formuladores de políticas, esse ponto é central: sem parâmetros comuns, cadeias internacionais associadas a recursos biológicos tendem a enfrentar barreiras técnicas, disputas regulatórias e dificuldades de comprovação de sustentabilidade.

Outro eixo do encontro foi o avanço da convergência em marcos de sustentabilidade. A discussão dialoga com os Princípios do G20 sobre Bioeconomia e com os Princípios Aspiracionais da FAO sobre Bioeconomia, mencionados como instrumentos que estimulam a cooperação internacional. A reunião em Roma indicou que a próxima etapa da agenda passa menos por declarações amplas e mais por critérios comparáveis, capazes de orientar investimento, comércio e políticas públicas em diferentes realidades nacionais.

Fonte: Third meeting of the Bioeconomy Group of Friends

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