Bioenergia pode elevar renda agrícola e reduzir dependência energética na Eslováquia

A geração de bioenergia a partir de biomassa agrícola tem sido apontada como um caminho estratégico para diversificar e aumentar a renda de agricultores na União Europeia. Uma pesquisa liderada por Izabela Adamickova e colaboradores, conduzida a partir da realidade da agricultura na Eslováquia, demonstra o potencial de uso de agrowaste para a produção de biocombustíveis, como forma de enfrentar o baixo valor agregado da produção primária, a queda na produtividade do trabalho e a redução de jovens no setor.

Mesmo com políticas comuns da União Europeia voltadas ao setor agrícola, a renda de produtores primários segue inferior à de outros setores econômicos. A bioeconomia aparece como uma alternativa concreta para fortalecer esses rendimentos por meio de atividades como a produção de bioetanol e biogás a partir de resíduos agrícolas. Entre as matérias-primas com maior viabilidade citam-se beterraba sacarina, grãos de uso forrageiro, milho, colza e biomassa florestal.

O estudo aplicou uma análise de regressão-correlação com dados coletados diretamente de produtores rurais, utilizando questionários estruturados validados por técnicas estatísticas, como testes de consistência interna (Cronbach Alpha) e análises fatoriais. A pesquisa revelou que os principais fatores que impactam positivamente a renda dos agricultores eslovacos são: aumento da produção total (com efeito de +2,02% para cada 1% de crescimento), pagamentos diretos do orçamento público (+0,58%) e receitas com juros e arrendamentos.

Por outro lado, o aumento de preços de alimentos e energia tem um efeito negativo significativo: uma alta de 1% nos preços energéticos implica uma queda de 0,28% na renda agrícola. A produtividade do trabalho, impactada pela escassez de mão de obra qualificada, também deixou de ser um fator relevante no crescimento da renda, segundo os autores.

Em termos energéticos, a biomassa agropecuária poderia cobrir cerca de 32,9% da demanda por gás natural do país e substituir até 37,4% das importações dessa fonte. Considerando o salto nos preços do gás entre 2021 e 2023, a substituição por fontes renováveis locais representaria uma economia potencial estimada em €3,2 bilhões.

Apesar dessas perspectivas, o estudo identificou entraves estruturais: ausência de uma política nacional clara para bioeconomia, baixo nível de incentivos financeiros e uma administração agrícola ainda pouco orientada à inovação. Muitos produtores ainda preferem estratégias convencionais de manejo de resíduos, como biodigestores simples, diante da pouca atratividade econômica gerada pelas políticas atuais.

A disposição dos agricultores em investir em bioenergia esteve positivamente correlacionada à disposição para inovar, conforme demonstrado por correlações moderadas na análise estatística. Ou seja, quanto mais disponíveis os agricultores estão para atualizar sua base tecnológica, maior a probabilidade de implementação de projetos de bioenergia. A cooperação com instituições públicas e centros de pesquisa ainda é considerada fraca, o que limita a transferência de conhecimento e tecnologias.

Conclui-se que, para garantir a viabilidade econômica da agricultura de pequena e média escala na Eslováquia – realidade similar à de muitos países europeus –, será necessário integrar ações de incentivo à bioeconomia, com foco em medidas que acelere a autonomia energética rural. Isso inclui políticas mais eficazes, um banco de dados nacional sobre produtores e consumidores de bioenergia, e o estímulo à integração entre universidades, mercado e governos.

Ao recomendar mudanças estruturais em políticas públicas e mecanismos de fomento à inovação, o estudo oferece um modelo que pode ser adaptado por outras nações em busca de soluções sustentáveis para a renda rural e a transição energética. A construção de sistemas regionais de dados e o planejamento baseado em eficiência econômica e ambiental são apontados como próximos passos cruciais.

Fonte: Economy for Bioproduction: A Path for Diversifying Farms’ Income

Compartilhar