Biomassa local reduz custo de ração e melhora ganho de peso em cabras Black Bengal no oeste de Bengala

Um estudo conduzido pela West Bengal University of Animal & Fishery Sciences testou como aditivos alimentares bio-baseados e moduladores metabólicos obtidos de biomassa local podem elevar o desempenho produtivo de cabras da raça Black Bengal e, ao mesmo tempo, reduzir despesas com alimentação em cinco “distritos aspiracionais” do oeste de Bengala, na Índia: Murshidabad, Birbhum, Malda, Dakshin Dinajpur e Nadia.

O ensaio teve duração de 120 dias e envolveu 489 animais (5 a 8 meses de idade; peso inicial médio de 8,4 ± 0,3 kg), distribuídos em três tratamentos alimentares. O grupo controle (T1) recebeu dieta com concentrado convencional. Nos demais, parte do concentrado foi substituída por uma mistura de ingredientes locais: 50% no T2 e 70% no T3. Os animais foram mantidos em sistema semi-intensivo, com 4 a 5 horas diárias de pastejo e suplementação no cocho, com água e mistura mineral à vontade.

A formulação das rações incorporou topos de cana-de-açúcar, folhas de mandioca, ramas de batata-doce, além de farinhas foliares de Leucaena e Sesbania. O trabalho descreve que esses materiais foram selecionados por disponibilidade, palatabilidade e valor nutritivo, e processados em diferentes formatos, como silagem, feno/farinha e blocos densificados, para adequação ao armazenamento e ao fornecimento no campo. A silagem de topos de cana, por exemplo, foi preparada com 5% de melaço e 1% de ureia, com ensilagem por 30 dias.

Na análise de composição, os ingredientes apresentaram proteína bruta entre 14,6% e 22,5% (com destaque para Leucaena e Sesbania) e nutrientes digestíveis totais entre 55% e 65%, indicando, segundo os autores, adequação bioquímica para uso como componentes de ração. As dietas foram balanceadas com base em requisitos nutricionais para caprinos e fornecidas na proporção de 3,5% do peso vivo em base de matéria seca, com complemento de volumoso verde e sal comum.

Do ponto de vista zootécnico, a inclusão de biomassa elevou levemente o consumo de matéria seca: 850 ± 12,4 g/dia no T1, 880 ± 11,2 g/dia no T2 e 900 ± 13,5 g/dia no T3. A pesquisa relata que os coeficientes de digestibilidade de matéria seca, proteína bruta e nutrientes digestíveis totais foram estatisticamente semelhantes entre os tratamentos, sugerindo que a substituição parcial do concentrado não prejudicou o aproveitamento dos nutrientes.

Os ganhos, no entanto, apareceram com mais clareza em desempenho e eficiência. O estudo registra aumento do ganho médio diário em 7,7% no T2 e 13,8% no T3 em relação ao controle, além de melhora na conversão alimentar, com o menor valor no T3 (12,1 ± 0,3). Os autores associam o resultado ao papel das formulações como potenciais intensificadores metabólicos naturais, com efeitos sobre fermentação ruminal e uso de nutrientes.

No recorte econômico, a substituição por biomassa local reduziu o custo total de alimentação em 28% a 33% e elevou a relação benefício–custo de 1,28 para 1,68, com desempenho superior no tratamento de maior substituição. O desenho do trabalho foi executado como ensaio controlado em propriedades, com apoio de centros satélites do programa Biotech-KISAN; a pesquisa informa ainda que não há conflitos de interesse declarados e que os procedimentos seguiram diretrizes institucionais de ética animal, com consentimento dos produtores participantes.

Fonte: Bio-based Feed Additives and Metabolic Modulators for Enhanced Productivity: Sustainable Low-Cost Feed Strategies Using Local Biomass Resources for Small Ruminant Production in the Aspirational Districts of West Bengal

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